Título: Obras de refinarias do Nordeste estão atrasadas
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 27/10/2010, O País, p. 10
Em Pernambuco, construção deveria ter sido entregue em agosto; no Ceará, projeto está no papel RECIFE e FORTALEZA. As novas refinarias que a Petrobras anunciou com pompa no Nordeste pouco avançaram até o momento.
Citadas pela candidata Dilma Rousseff no debate da noite de segunda-feira, na TV Record, as obras estão atrasadas em Pernambuco e no Ceará. Orçada inicialmente em R$ 9 bilhões e atualmente com investimentos previstos de R$ 26 bilhões a Refinaria Abreu e Lima vem sendo implantada no Complexo Industrial Portuário de Suape, litoral sul de Pernambuco, e pelo cronograma deveria ter sido inaugurada em agosto. De acordo com o governo de Pernambuco, deverá ficar pronta somente em 2012, embora em seu canteiro de obras trabalhem atualmente cerca de 10 mil pessoas.
A refinaria, projetada para processar 230 mil barris diários de petróleo, é fruto de uma parceria entre o Brasil e a Venezuela por meio da PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo.
Há um ano a Petrobras chegou a anunciar a conclusão das negociações com a PDVSA, mas a sociedade ainda não foi de fato efetivada. O acordo estaria enfrentando dificuldades em função de exigências feitas pelo BNDES ao governo venezuelano e não aceitas pela PDVSA.
Em meados do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) suspeitou de superfaturamento, de até 930%, em alguns itens da construção da refinaria. Mas a obra foi adiante, pois o governo alegou que os prejuízos provocados por uma eventual paralisação da construção seriam maiores.
Até o momento, no entanto, nem a terraplenagem da refinaria foi totalmente concluída, embora só falte terminar 1% desta fase. Outras partes da refinaria vêm sendo tocadas, como tanques de armazenamento e casas de força.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, invernos fortes registrados nos dois últimos anos atrapalharam a terraplenagem.
Ao próximo presidente caberá apressar a implantação da indústria e definir de fato e de direito a pendência da parceria com a Venezuela, que ainda está longe de um entendimento.
Já a Refinaria Premium II, no Ceará, ainda não saiu do papel.
Um dos motivos do atraso é a disputa travada entre o governo do estado e a comunidade indígena Anacés pela propriedade de parte do terreno onde será instalada a refinaria, projeto de R$ 22 bilhões. O protocolo de entendimento para a construção foi assinado em dezembro de 2008, e a previsão era de que as obras começassem um ano depois. O início do funcionamento pode ficar para 2017.
A refinaria será instalada numa área dentro Complexo Portuário e Industrial do Pecém, onde se localiza o Porto do Pecém. A comunidade Anacés, com 1.200 moradores, reivindica parte da área. A refinaria também não tem licença ambiental.
A refinaria não está parada.
Está andando. Há dificuldades, mas estamos trabalhando disse o secretário de infraestrutura do estado, Adahil Fontenele.