Título: Projeto degradado
Autor: Rizzo, Alana
Fonte: Correio Braziliense, 12/07/2009, Política, p. 5

A ONG Fé e Alegria espera R$ 371 mil para ampliar atividades educacionais na zona rural

Localizada no município de Laranja da Terra, na região central do Espírito Santo, o núcleo da Organização Não Governamental (ONG) Fé e Alegria do Brasil está prejudicado com o atraso do repasse de recursos previsto com a aprovação do projeto Estação Agrieco, em dezembro do ano passado. O estudo desenvolvido pela ONG prevê projetos de educação ambiental que beneficiarão mais de 3 mil crianças da região, além de recuperar áreas degradadas e promover a proteção de nascentes. O projeto está orçado em R$ 371 mil.

Uma das ações previstas, a recuperação de áreas degradadas, dificilmente terá execução este ano, já que o terreno onde seriam plantadas mudas nativas não foi preparado e a região está no período de seca. ¿A gente não sabe o que está acontecendo. Em abril, pediram vários documentos. Depois nos pediram para adequar itens do projeto e não tivemos mais resposta¿, disse o coordenador da Fé e Alegria no Espírito Santo, Vilmar Burzlaff.

O movimento Fé e Alegria nasceu na Venezuela, em 1955, através de iniciativas de padres jesuítas e se espalhou por países da América Latina, Europa e África. O núcleo de Laranja da Terra foi o quarto implantado no Espírito Santo e tem como principal atividade o curso técnico em agropecuária, oferecido no Centro de Educação Técnica Fé e Alegria a jovens que concluíram o ensino médio, filhos, ou não, de pequenos agricultores.

Internato As aulas acontecem numa escola municipal no centro de Laranja da Terra. Já a sede da organização, que fica no povoado conhecido como Laranjinha, ainda não tem estrutura adequada. O espaço com 70 hectares está sendo preparado para funcionar em regime de internato. ¿Esse curso tem ajudado a reduzir o êxodo rural, que era forte na região¿, comentou a zootecnista da ONG Nutiele Silva de Carvalho. A maioria dos estudantes mora na zona rural e conta com a parceria do poder público, que colocou à disposição da ONG transporte gratuito. A primeira turma de 10 alunos formou-se no ano passado.

Um dos projetos que seria tocado com recursos da Petrobras, o Pastagem rotativa, começou a ser implantado com recursos próprios. Toda a produção do núcleo é vendida no comércio da cidade, o que ajuda nas despesas da organização. ¿Uma de nossas novidades é a introdução das verduras e hortaliças orgânicas livres de agrotóxicos, que são vendidas na cidade¿, comentou a zootecnista.