Título: PMDB do Pará pede nova eleição para Senado
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 29/10/2010, O País, p. 12
Presidente do TRE do estado, porém, diz ser contra a realização de uma nova disputa
Enviado especial BELÉM. Um dias após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o PMDB do Pará informou, em nota publicada no site do deputado federal Jader Barbalho, presidente regional do partido, que pedirá a anulação da eleição para senador no estado. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidir. O presidente do TRE, desembargador João Maroja, disse ser contra nova eleição. Ele observou, porém, que a decisão será colegiada. O TRE paraense tem seis juízes; o presidente só vota em caso de desempate.
A nota do PMDB do Pará critica duramente a decisão do STF: ¿O PMDB do Pará lamenta que o Supremo Tribunal Federal, com seus patéticos empates e falta de decisão constitucional, tenha buscado saída artificial, precária e contra o interesse da sociedade representada por milhões de votos¿, diz a nota. ¿Por tais fatos, o PMDB usará das garantias constitucionais para exigir a realização de novas eleições, nas quais o povo do Pará vai reafirmar que somente aos paraenses cabe escolher seus representantes, pois já vai longe o regime ditatorial dos senadores biônicos.¿ Jader não poderá ser diplomado, apesar de ter obtido 1,79 milhão de votos, porque, em 2001, renunciou ao mandato para não ser cassado no Senado ¿ por conta de acusações de desvio de verbas na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
O presidente do TRE-PA afirmou que há duas linhas de pensamento. Uma delas ¿ da qual é partidário ¿ é que a eleição não é para cargo executivo e, portanto, não precisa seguir o dispositivo da lei, segundo o qual o pleito deve ser anulado quando mais de 50% dos votos forem nulos. A outra linha de pensamento é oposta: defende que a eleição para o Senado se dá com base na maioria dos votos e, portanto, como há grande número de nulos, deve haver novo pleito.
Somados os votos de Jader e do petista Paulo Rocha ¿ que também concorreu ao Senado e deverá ter sua candidatura impugnada com base na decisão do STF ¿, o número de votos chega a mais de 3,532 milhões de votos, ou 57,2%. Maroja informou que, caso não haja uma decisão do TRE até 17 de dezembro, vai diplomar o senador reeleito Flexa Ribeiro (PSDB) e a quarta colocada, Marinor Brito (PSOL). Se o TRE decidir por novo pleito e o resultado for diferente, os diplomas serão cassados, dando lugar aos novos eleitos.