Título: Com Dilma, mão de ferro na economia
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 07/11/2010, O País, p. 11

Diferentemente de Lula, presidente eleita não estimulará divergências de ideias em sua equipe e exigirá harmonia

BRASÍLIA. A presidente eleita, Dilma Rousseff, sinalizou que usará a montagem de sua equipe econômica para mostrar personalidade própria e um novo estilo de governar. Diferentemente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estimulava divergências entre os condutores da economia para, no fim, criar consenso, Dilma avisou a interlocutores que deseja uma equipe harmônica e que terá influência direta no encontro das soluções.

Nas primeiras entrevistas concedidas semana passada, Dilma foi além e explicitou que vai comandar e monitorar pessoalmente a economia. Disse que essa é uma responsabilidade dela, e não de nomes que venham a ser escolhidos: ¿ Não serão pessoas que vão ser responsáveis sobre isso.

Sou eu que sou responsável.

E, como responsável, asseguro: seja quem seja que esteja no exercício do cargo, eu assegurarei ao país a questão da estabilidade econômica.

Para petistas e aliados, esse recado foi mais do que claro sobre a preponderância que ela pretende ter sobre a área econômica.

Esse deverá ser um contraponto visível do governo dela em relação ao de Lula. Com opiniões próprias, os dois principais economistas que terão interlocução com Dilma são o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, com grande influência no seu pensamento, e o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, que Dilma sempre ouve, cita e elogia, principalmente em relação à sua eficiência.

O terceiro nome do grupo será o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega; o presidente Lula já sinalizou que gostaria que ele fosse mantido no comando da pasta. Mas ele pode ir para outra função. De forma reservada, Dilma tem considerado Mantega menor que o cargo que ocupa e com pouca liderança para conduzir a economia. A presidente eleita atribui à falta de comando de Mantega os problemas recentes com a Receita Federal nas gestões de Lina Vieira e de Otacílio Cartaxo.