Título: Alemanha e China criticam injeção de recursos por banco central dos EUA
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Fonte: O Globo, 06/11/2010, Economia, p. 30
Reforma tornará economia chinesa 3ª maior do FMI e ampliará papel do Brasil
A poucos dias da reunião de cúpula do G-20 (grupo das principais economias do mundo), a China rejeitou ontem a proposta apresentada pelos Estados Unidos de impor limites aos desequilíbrios no comércio global.
Já a Alemanha fez coro com o Brasil e criticou a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de injetar US$ 600 bilhões na economia. Essas posições mostram o que deverá ser a pauta da reunião dos líderes do G-20, nos próximos dias 11 e 12, em Seul, na Coreia do Sul.
A China é acusada de manter o yuan artificialmente desvalorizado, beneficiando-se do câmbio para obter vantagem em suas exportações. Os EUA vêm pressionando Pequim a deixar que sua moeda se valorize. Zhou Xiaochuan, presidente do BC chinês, disse que, embora entenda que o Fed busque estimular a recuperação dos EUA, não pode prejudicar a economia global.
A decisão do Fed, porém, tornou o debate mais complexo, pois a injeção de recursos na economia americana tende a enfraquecer o dólar. Além disso, estimulará o fluxo de investimentos para os emergentes, fortalecendo suas moedas e criando risco de bolhas.
¿ (O problema) não é a falta de liquidez. Não é o caso de os americanos não terem injetado liquidez suficiente no mercado ¿ disse o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.
¿ Dizer agora: ¿vamos colocar mais recursos¿ não vai solucionar os problemas deles.
EUA geraram mais emprego que o esperado em outubro Enquanto enfrenta as pressões, a China obteve uma vitória ontem no Fundo Monetário Internacional (FMI): sua quota passou a 6,4%. Será o terceiro país mais importante no organismo, atrás de EUA (17,7%) e Japão (6,5%). A reforma foi anunciada pelo diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn. Ele disse ainda que Brasil, Índia e Rússia agora são ¿grandes atores¿ na economia global.
¿ Novas mudanças na economia global serão refletidas no Fundo ¿ disse Strauss-Kahn, acrescentando que ¿esse acordo histórico¿ é a maior reforma na história do FMI.
Ele afirmou que agora as economias emergentes não se sentirão mais ¿convidadas à mesa, mas com papel menor¿. As quotas de Alemanha, França e Reino Unido diminuirão. Países pequenos da Europa (ainda não escolhidos) e produtores de petróleo também perderão votos.
A reforma deve ser completada até outubro de 2012. Ela precisa da aprovação de 85% dos 187 membros do FMI.
Já a economia americana gerou mais empregos que o previsto em outubro. O saldo foi de 151 mil vagas, com a criação de 159 mil empregos no setor privado ofuscando o corte de oito mil funcionários públicos.
A taxa de desemprego continuou em 9,6%.