Título: Cristina é aclamada nova líder do kirchnerismo
Autor: Figueiredo, Janaína
Fonte: O Globo, 30/10/2010, O Mundo, p. 34

Peronistas ligados ao casal K tentam dar fim a rumores, reforçando seu apoio à presidente da Argentina

BUENOS AIRES. Em meio a um clima de incertezas políticas, os dois principais líderes do kirchnerismo afirmaram ontem que, com a morte do ex-presidente Néstor Kirchner, quem mandará na Argentina e no setor do peronismo aliado à Casa Rosada será sua sucessora e viúva, a presidente Cristina Kirchner. O secretário geral da Central de Trabalhadores Argentinos (CGT), o sindicalista Hugo Moyano, assegurou que ¿a partir de agora a chefe é ela¿. Já o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, que foi vice de Kirchner, declarou que estará onde Cristina pedir que esteja.

Desde que foi confirmado o falecimento do ex-presidente, surgiu uma série de rumores sobre a possibilidade de Scioli decidir afastar-se do governo e lançar uma candidatura presidencial por fora do kirchnerismo.

No entanto, o governador disse que estar ao lado de Cristina ¿foi o que Néstor sempre pediu¿.

¿ A condutora real do partido é a presidente ¿ enfatizou Scioli, que há sete anos e meio é um dos principais aliados da família Kirchner.

Ontem, após encerrar o velório na Casa Rosada e antes de embarcar para a província de Santa Cruz, onde foi realizado o enterro, a presidente também recebeu o respaldo de importantes governadores peronistas.

¿ Nossa líder agora é ela, temos de apoiá-la e ajudá-la a superar este momento ¿ disse o governador da província de San Juan, José Luis Gioja.

Moyano, um dos sindicalistas mais importantes da Argentina, foi um dos primeiros a reafirmar o compromisso com o governo.

No mesmo dia em que foi confirmada a morte de Kirchner, ele convocou uma entrevista para anunciar seu apoio. Pouco depois, foi divulgada a informação sobre uma suposta conversa telefônica entre Moyano e Kirchner ¿ ocorrida horas antes de o ex-presidente sofrer uma parada cardiorrespiratória. Segundo informações extraoficiais, os dois tiveram uma forte discussão desencadeada por uma queixa de Moyano pela ausência de vários prefeitos peronistas numa reunião do Partido Justicialista (PJ) comandada por ele.

Ocupar o espaço de Kirchner, o principal desafio Kirchner era quem telefonava pessoalmente para governadores, prefeitos, deputados e senadores, sempre que fosse necessário organizar um ato político, obter apoio para a aprovação de uma lei, ou simplesmente garantir a presença de dirigentes numa reunião do PJ kirchnerista.

Embora muitos políticos considerem que ocupar esse espaço será um dos principais desafios de Cristina, seus aliados garantem que a presidente está preparada para assumir o comando do governo e do peronismo.

Em entrevista à CNN, o ministro das Relações Exteriores, Héctor Timmerman, atreveu-se a antecipar a candidatura presidencial de Cristina para 2011, atitude questionada por setores do próprio governo. Entre os peronistas dissidentes, o clima é de certa desorientação. Os principais dirigentes do PJ antikirchnerista optaram pelo silêncio, já que, segundo disse um colaborador do ex-presidente Eduardo Duhalde, ¿neste momento qualquer palavra ou gesto poderia ser usada contra nós¿.

Para os kirchneristas não há discussão: a nova comandante do movimento é Cristina.

¿ O projeto deve continuar.

Kirchner é uma pessoa muito difícil de substituir, mas agora nossa líder é a presidente ¿ disse a presidente das Avós da Praça de Maio, Hebe Bonafini.