Título: Deputados e senadores não podem ter, mas têm
Autor: Éboli, Evandro; Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 10/11/2010, O País, p. 14
BRASÍLIA. O ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, Franklin Martins, criticou ontem a distribuição de emissoras de rádios e TVs para políticos. A declaração do ministro foi feita na abertura do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias.
¿ Criou-se na área de comunicação a situação que é terra de ninguém.
Deputados e senadores não podem ter, mas todos sabem os que eles têm TVs, obtidas através de subterfúgios variados. Está certo? Não! Está errado ¿ disse Franklin Martins.
Para o ministro, a discussão sobre concessão de meios de comunicação a parlamentares sempre foi contida e evitada.
¿ Agora é a oportunidade para se rediscutir tudo isso ¿ afirmou.
Franklin disse ainda que o governo federal tem consciência de que é preciso dar um tratamento especial e prioritário à radiodifusão, porque ela tem sinal aberto, gratuito e chega a todo o país, beneficiando a população de menor poder aquisitivo.
O ministro voltou a defender um equilíbrio nesse mercado e reafirmou que as empresas de telecomunicação, como as telefônicas, faturam 13 vezes mais que os meios de comunicação social.
¿ Isso não é bom para as classes C, D e E, que não têm acesso à comunicação eletrônica. Ninguém é tão forte para interditar esse debate, nem o governo, nem as teles, nem a academia.
Franklin também voltou a dizer que regular o setor de comunicação e criar agência reguladora não significa estabelecer censura a jornais, rádios e TVs: ¿ O fantasma mais renitente e mais garboso dessa discussão é a tese de que regulação é sinônimo de censura à imprensa.
(Evandro Éboli e Mônica Tavares)