Título: No comércio, indústria da falsificação atua a serviço do crime organizado
Autor: Alvarez, Regina
Fonte: O Globo, 31/10/2010, O País, p. 13
Para especialista, questão não é só comercial, mas de segurança nacional
SÃO PAULO. Com o apoio do crime organizado, a indústria da falsificação passa ao largo de qualquer crise. São isqueiros, CDs, DVDs, programas e jogos de computador, roupas, remédios, tênis e material esportivo, ferramentas, peças automotivas, canetas, brinquedos, óculos, pilhas, celulares, lâmpadas, bebidas, cigarros e preservativos. A lista interminável pode ser encontrada nas ruas do centro e da periferia das cidades brasileiras, mas em São Paulo há verdadeiros shoppings a céu aberto, ou em inúmeras galerias comerciais, como na Rua Vinte e Cinco de Março e na Galeria Pagé.
Todos os pontos são abastecidos por uma rede de distribuição de causar inveja a qualquer grande empresa do mundo globalizado.
O esquema é tão organizado que parece assimilar os golpes desferidos nas operações da Receita Federal e das polícias Federal, Civil e Militar, que vêm dobrando o número de apreensões em todo o país. De janeiro a agosto, as ações policiais já somam R$ 1,3 bilhão em produtos apreendidos.
O volume de apreensões tem crescido, mas é preciso aumentar a margem de fiscalização nos portos e aeroportos e nos pontos de fronteiras, caso contrário vamos continuar enxugando gelo diz o presidente do Fórum Nacional de Combate à Pirataria, Edson Vismona.
Ele cobra investimentos do setor público em equipamentos, como scanners, e em pessoal para fiscalizar fronteiras: Não é só a questão comercial, mas de segurança nacional, porque também envolve tráfico de drogas, armas e munição.
Segundo os especialistas em combate à pirataria, de cada cinco lotes de mercadorias falsificadas que chegam ao Brasil pelo menos três têm origem em China, Cingapura, Taiwan, Coréia ou Malásia, causando perdas equivalentes a mais de seis meses de arrecadação de impostos estaduais e federal. Com a diversificação da pirataria, muita coisa que era trazida de fora está sendo feita aqui, em fabriquetas de fundo de quintal ou sofisticados laboratórios a serviço do crime organizado.
Como a falsificação não se limita às marcas de luxo, Luiz Cláudio Garé, do Grupo de Proteção à Marca, alerta para a falta de legislação mais rígida, que facilite a punição rápida. O aumento dos esforços no combate à pirataria, diz Garé, deve vir acompanhado de leis mais modernas e de uma Justiça mais ágil. Na outra ponta, entidades empresarias reconhecem que é preciso conscientizar consumidores.