Título: Eleições estaduais: PSDB e PSB favoritos
Autor: Braga, Isabel; Souza, André de
Fonte: O Globo, 31/10/2010, O País, p. 41
Pelas pesquisas de intenção de voto, tucanos poderão fechar as eleições 2010 à frente de 8 estados; e PSB, de 6
BRASÍLIA. Se as urnas deste domingo confirmarem as pesquisas de intenção de voto no Distrito Federal e nos oito estados onde há disputa em segundo turno, PSDB e PSB serão os grande vencedores das eleições estaduais de 2010. Além dos quatro estados conquistados no primeiro turno entre eles São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país , os tucanos podem vencer hoje em outros quatro e totalizar oito governadores. As pesquisas, no entanto, mostram uma disputa bastante acirrada, na véspera da eleição, em Goiás, Alagoas e Roraima, onde os candidatos tucanos, embora numericamente à frente, estão empatados tecnicamente com seus adversários.
Segundo pesquisa Ibope divulgada ontem, o atual governador de Alagoas, o tucano Teotônio Vilela, tem 52% dos votos válidos, contra 48% de Ronaldo Lessa (PDT). Teotônio manteve o percentual em relação à outra pesquisa Ibope de 20 de outubro, mas Lessa cresceu na reta final. Em Goiás, no levantamento Ibope divulgado em 27 de outubro, Marconi Perillo (PSDB) tem 51% dos votos válidos e Iris Rezende (PMDB), 49%. Em Roraima, o tucano José de Anchieta virou o placar, de acordo com pesquisa do Ibope divulgada ontem, e tem 51% dos votos válidos, contra 49% de Neudo Campos (PP).
Maioria deverá ser de aliados do PT Já o PSB fez três governadores no último dia 3 e poderá eleger outros três hoje, igualandose ou ultrapassando, em número de estados comandados, o PMDB e o PT, legendas que, ao lado do PSDB, são as mais importantes no Brasil atualmente. Mas também há dois estados Paraíba e Amapá em que o PSB, embora numericamente à frente, também está em empate técnico.
Na Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) tem 52% dos votos válidos, mas José Maranhão (PMDB), cresceu muito na reta final e chegou a 48%. No Amapá, Camilo Capiberibe tem 53% dos votos válidos e Lucas Barreto (PTB), 47%. O empate técnico no Amapá ocorre no limite da margem de erro.
O PMDB elegeu quatro governadores no primeiro turno e pode conquistar hoje os governos de Rondônia e Goiás. O PT, que também elegeu quatro, só tem chance de vencer neste segundo turno, no Distrito Federal.
O placar entre estados que serão comandados pelas forças governistas e de oposição mostra vantagem dos aliados do atual presidente Lula. Se as pesquisas estiverem corretas, haverá 16 governadores identificados com o atual governo, contra 11 de oposição oito do PSDB, dois do DEM e o Mato Grosso do Sul de André Puccinelli, do PMDB dissidente. Mas o placar final ainda depende dos resultados em Goiás, Alagoas e Roraima, onde as disputas estão acirradas.
A oposição consegue equilibrar o jogo numericamente favorável ao governo quando se considera o peso eleitoral de cada estado. A oposição a Lula deverá governar de 49,06% a 53,55% do eleitorado, enquanto os governistas terão de 46,3% a 50,79%. A soma não fecha em 100% porque 0,15% dos eleitores votam no exterior e apenas para o cargo de presidente. Caso os tucanos consigam eleger sete governadores (incluindo Goiás e Alagoas), só o PSDB governará para um total de 64,2 milhões de eleitores 47,3% dos 135,8 milhões.
Na opinião de cientistas políticos, embora enfraquecida nas eleições parlamentares, a oposição fortaleceu-se nas disputas estaduais. A força dos estados conquistados principalmente pelo PSDB é grande e funcionará como contraponto em relação ao fortalecimento da base de Lula no Congresso, numa eventual vitória de Dilma Rousseff. Os acadêmicos, no entanto, entendem que, qualquer que seja o presidente eleito, a relação entre ele e os governadores será boa.
Os governadores irão manter relação institucional com qualquer presidente eleito. É uma necessidade. Até mesmo os governadores do PT, já que o PT quando chega ao governo é mais pragmático disse o professor da Universidade de Brasília, Ricardo Caldas.
Para o cientista político Murilo Aragão, da consultoria Arko Advice, o fato de a oposição governar estados com maior número de eleitores não tem influenciado sua força para influir nas eleições presidenciais: O PSDB governa São Paulo e Minas há muito tempo e nem por isso tem conseguido vencer as eleições presidenciais.
PSDB deve vencer as eleições no Pará Além de Goiás e Alagoas, é preciso ainda cautela com as pesquisas em outros estados, como Amapá, Roraima e Paraíba, onde a diferença entre os candidatos é pequena, deixando margem para dúvida sobre o futuro governador. No entanto, Amapá e Roraima são os menores colégios eleitorais do Brasil e juntos somam apenas 0,51% do eleitorado nacional .
O PSB ainda está na frente no Piauí, onde o governador Wilson Martins tenta a reeleição; na Paraíba, com o ex-prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho; e no Amapá, com Camilo Capiberibe.
O PSDB deve levar o maior colégio eleitoral em disputa neste segundo turno, o Pará, onde Simão Jatene está, segundo o Ibope, 18 pontos à frente da governadora Ana Júlia (PT).
Completam o quadro o petista Agnelo Queiroz, no DF e o peemedebista Confúcio Moura em Rondônia. No total são seis aliados do governo Lula e um opositor. No primeiro turno, PT, PMDB e PSDB fizeram quatro governadores cada. O PSB três, o DEM elegeu dois e o PMN reelegeu o governador do Amazonas.
Em número de estados conquistados, e também de eleitores, PT e PMDB, terão resultados parecidos. O PT, embora em ritmo menor que o PSB, principalmente pela conquista do governo do Rio Grande do Sul com Tarso Genro, governará para mais eleitores em relação aos que governa hoje.
Já o PMDB diminuirá seu peso eleitoral nos estados. Em 2006, o partido elegeu sete governadores que, ao longo das mudanças de partido ocorridas nos últimos quatro anos, se tornaram nove em 2010, abrangendo estados com 26,04% dos eleitores brasileiros.
Confirmados os resultados, o partido sairá das urnas este ano com apenas cinco ou seis estados, onde vivem de 15,31% a 18,3% dos eleitores brasileiros.