Título: Mercado projeta nova alta de inflação para 2010
Autor: Duarte , Patrícia ; Doca , , inflaca Geralda
Fonte: O Globo, 09/11/2010, Economia, p. 25
Pela oitava semana seguida, segundo levantamento do BC, taxa prevista sobe: IPCA passou de 5,29% para 5,31%
BRASÍLIA. O mercado, pela oitava semana seguida, piorou as projeções de inflação deste ano, mas não alterou suas contas de 2011, mostrou ontem a pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC). Para este ano, o IPCA projetado passou de 5,29% para 5,31%, afastandose cada vez mais do centro da meta do governo, de 4,5%.
Para 2011, no entanto, as estimativas ficaram em 4,99%. A pressão sobre os preços dos alimentos continua explicando esse movimento, mas isso não significa que os economistas estejam prevendo novo aperto monetário.
Ainda segundo o Focus, as projeções são que a Taxa Selic fechará 2010 a 10,75% ao ano, patamar visto desde julho passado, e 2011 a 11,75%.
Esses números não mudaram nos últimos dois meses, pelo menos. Sobre o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), o mercado também não mexeu nas suas contas: expansão de 7,60% em 2010 e de 4,50% em 2011.
Para o câmbio, também não houve alterações neste ano ¿ com o dólar fechando a R$ 1,70 ¿ e uma leve redução para 2011, de R$ 1,78 para R$ 1,77. O anúncio de um pacote de ajuda de US$ 600 bilhões pelo governo americano, para estimular a economia local, ainda não foi suficiente para piorar as expectativas do mercado sobre o câmbio, embora as avaliações sejam de que haverá uma enxurrada maior de dólares no país.
Ainda no campo externo, os economistas consultados pelo BC enxergam que o déficit em conta corrente no país ficará em 2010 em US$ 50 bilhões, mesma projeção há nove semanas.
Mas, para 2011, há um mês vêm elevando suas projeções e, agora, enxergam um rombo de US$ 64,75 bilhões, acima das contas do BC, de US$ 60 bilhões.
Uma das principais razões para a acentuação do rombo externo é a balança comercial brasileira, cujo superávit estimado para 2010, de apenas US$ 16 bilhões, cairá pela metade em 2011, segundo o Focus.
A balança comercial iniciou novembro com superávit de US$ 429 milhões, confirmando a tendência de arrefecimento das importações, verificada nos dados consolidados de outubro.
Com quatro dias úteis, o país embarcou na primeira semana deste mês US$ 3,205 bilhões ¿ média diária de US$ 801,3 milhões, o que representou alta de 26,6% em relação a igual período do ano passado. As encomendas do exterior ficaram em US$ 2,776 bilhões, aumento de 15,3% no critério da média diária, para US$ 601,1 milhões.
A balança comercial acumula superávit de US$ 15,05 bilhões ¿ resultado de exportações de US$ 166,514 bilhões e compras externas de US$ 151,464 bilhões. No mesmo período de 2009, o saldo estava em US$ 22,348 bilhões, o que significa queda de 32,7% em 2010.