Título: PF não avança sobre apuração de escândalo
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 11/11/2010, O País, p. 15
BRASÍLIA. A Polícia Federal está com dificuldades para avançar nas investigações sobre a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, e outros tucanos. Para a polícia, não há instrumentos legais que permitam descobrir se existe alguém acima do jornalista Amaury Ribeiro Júnior na cadeia de comando responsabilizada pela violação das declarações fiscais de Eduardo Jorge e outros tucanos ligados ao candidato derrotado à Presidência, José Serra (PSDB).
Os dados fiscais dos tucanos foram devassados entre setembro e outubro do ano passado.
Em depoimento à PF na semana passada, o diretor do ¿Estado de Minas¿, Josemar Gimenez, ex-chefe de Amaury, negou vínculo entre o jornal e a quebra do sigilo dos tucanos. No período da quebra do sigilo, Amaury trabalhava para o ¿Estado de Minas¿ mas estava de férias.
Para a polícia, a investigação só poderia ir além do ponto em que chegou se o jornalista contasse que fez a apuração sobre os tucanos de São Paulo a mando de alguém.
Mas, nos quatro depoimentos que prestou à polícia, Amaur y se limitou a declarar que ¿decidiu¿ fazer a apuração para se contrapor a um suposto grupo do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ).
A polícia sustenta que a quebra do sigilo está esclarecida. Pela investigação, Amaury encomendou dados fiscais dos tucanos ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia. O serviço custou aproximadamente R$ 12 mil.
A partir de uma rede de colaboradores, Garcia obteve informações protegidas por sigilo nas agências da Receita Federal em Mauá e Santo André, em São Paulo. A operação teve a participação da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, funcionária do Serpro então cedida à Receita.
Sete investigados já foram indiciados pelas quebras de sigilo, entre eles Amaury, Garcia e Adeildda.
Para a PF, investigar a motivação de Amaur y é tarefa que só teria êxito com a colaboração do investigado.