Título: Meirelles diz que não impôs condição a Dilma
Autor: Ruether, Graça Magalhães
Fonte: O Globo, 20/11/2010, O País, p. 10

Presidente do BC terá encontro com presidente eleita para discutir permanência no cargo: "Não houve negociação"

FRANKFURT. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que vai aguardar um encontro com a presidente eleita, Dilma Rousseff, marcado para a próxima semana, em Brasília, para decidir se fica ou não à frente da instituição financeira. Pouco depois do encerramento da Conferência dos Bancos Centrais de Frankfurt, da qual participou, Meirelles fez questão de explicar a situação também para a imprensa estrangeira, para evitar os rumores que já circulavam nos meios financeiros sobre uma possível renúncia.

Ele recebeu por telefone o convite para a conversa com a presidente em torno de sua permanência, como antecipou ontem a jornalista Miriam Leitão.

Em um pronunciamento primeiro em português, depois em inglês, Meirelles defendeu a autonomia do Banco Central como a "condição importante para a redução da inflação e sucesso da economia" nos últimos anos:

- Não tenho nenhuma dúvida de que a presidente eleita é favorável a uma política econômica racional e saudável.

Mais tarde, ao falar com a imprensa brasileira, ele disse que não impôs condição para ficar.

- Não há condição. Não houve nenhum tipo de negociação - disse, para em seguida lembrar que Dilma Rousseff defendeu na campanha eleitoral a manutenção da autonomia como "algo bem-sucedido".

Mais importante do que os seus planos pessoais, disse ele, seria a convicção de que os oito anos de trabalho foram "um projeto que deu certo".

A redução da autonomia dos bancos centrais é um fenômeno que esta acontecendo também em outros países. O Banco Central Europeu foi orientado a manter os juros em um patamar historicamente baixo de 1% ao ano desde o ano passado. Mas Henrique Meirelles lembrou que isso não foi uma redução da autonomia mas sim "medidas não convencionais".

Ele concluiu que o que vai acontecer no Brasil em termos de autonomia ou não do BC vai depender da presidente eleita.

- A presidente eleita tem legitimidade para tomar todas as decisões que ela julgar adequadas - disse, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil.