Título: Estratégia para mostrar unidade na economia
Autor: Oliveira, Eliane ; Damé , Luiza
Fonte: O Globo, 25/11/2010, O Pais, p. 3

Dilma quer evitar divergências públicas

BRASÍLIA. Além de tranquilizar o mercado, mandando um recado de que não haverá alterações bruscas na política macroeconômica, a presidente eleita, Dilma Rousseff, organizou uma apresentação dos escolhidos - Guido Mantega na Fazenda, Miriam Belchior no Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central - para que o trio emitisse claros sinais de unidade e harmonia. Dilma não quer divergências públicas, como as registradas no governo Lula, principalmente entre Mantega e o atual titular do BC, Henrique Meirelles.

O ministro da Fazenda chegou para o anúncio de sua permanência cercado do seu "núcleo duro". Estavam lá os secretários de Política Econômica, Nelson Barbosa, de Acompanhamento Econômico, Antônio Henrique da Silveira, seu chefe de gabinete, Luiz Melin, e os assessores Marcelo Fiche e Ricardo Morais.

Mantega mal conseguia conter a satisfação, assim como a futura ministra do Planejamento, Miriam Belchior. O mais contido era Tombini, que assumirá o lugar de Henrique Meirelles.

Sempre reservada e mais acostumada a trabalhar nos bastidores, Miriam se viu exposta aos holofotes. Não escondeu o desconforto com a nova situação. Várias vezes apertou os lábios e sorriu, sem motivo aparente. Ela assegurou que o Planejamento será "parceiro da Fazenda na busca da consolidação fiscal".

Ao ser perguntado se manterá o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, Mantega disse que o assunto será tratado mais adiante. A saída do secretário é dada como certa. Na saída, ao ser perguntado por jornalistas sobre trocas em sua equipe, Mantega disse que a maior parte será mantida. (Eliane Oliveira, Luiza Damé, Martha Beck)