Título: Futuros ministros deverão ter força no Congresso
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Fonte: O Globo, 15/11/2010, O País, p. 9
Para Dilma, indicados precisam garantir votos de parlamentares
BRASÍLIA. Com a lista de indicações dos partidos em mãos, a presidente eleita, Dilma Rousseff, incluirá um novo critério para a nomeação de ministros para o seu governo: a garantia de votos correspondentes na Câmara e no Senado. Dilma foi alertada pelo próprio presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a viagem para a Coreia do Sul, que não deve repetir o erro de nomear ministros com pouca representatividade no partido.
Em seus dois mandatos, Lula ficou refém do Congresso em votações importantes e até CPIs, porque parte significativa de seus ministros não tinha influência nas bancadas da Câmara e do Senado. Em outros casos, ministros só representavam grupos dentro dos partidos, o que dificultou a governabilidade.
Antes de bater o martelo, Dilma sinalizou que deseja saber o que cada indicado representa em número de votos congressuais para evitar surpresas, rebeliões e chantagens em votações importantes. Amanhã, em reunião com integrantes da transição, ela receberá uma lista dos partidos apresentada ao presidente do PT, José Eduardo Dutra. Dilma deseja que cada ministro seja responsável por um determinado número de votos na Câmara e no Senado.
¿ Além da capacitação técnica, o ministro indicado terá que ter ascendência nas bancadas, até para garantir os votos no Congresso necessários para a governabilidade. Mesmo um indicado técnico precisa ter habilidade política, porque na hora do problema o ministro é que vai ter que segurar o deputado e o senador durante as votações ¿ advertiu Dutra.
Critério diminui as chances de Ciro Gomes Nesse critério, a cotação de ministeriáveis de vários partidos começa a cair por falta de ascendência. Isso deve dificultar a indicação, por exemplo, do deputado Ciro Gomes (PSBCE) A bancada gostaria de indicar um nome com mais trânsito entre os deputados socialistas.
O mesmo ocorre no PP. Integrantes da bancada enviaram a Dutra o nome do deputado Mário Negromonte (PP-BA) para substituir o ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida.
Mas, entre os progressistas, já existe reação. O próprio ministro diz que a indicação de Negromonte representa apenas um segmento do partido, que inclui o líder, deputado João Pizzolatti (PP-SC), o ex-líder, deputado Pedro Henry (PP-MT), e o ex-presidente da legenda, o deputado cassado Pedro Corrêa (PP-PE).
No PR, a situação é similar.
Apesar da indicação do senador Alfredo Nascimento (PR-AM) para voltar ao Ministério dos Transportes, a bancada deseja alguém com mais trânsito entre os parlamentares. No PMDB, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é citado como exemplo de alguém sem liderança entre deputados e senadores.