Título: Com PIB maior, esforço fiscal será menor
Autor: Beck, Martha
Fonte: O Globo, 17/11/2010, Economia, p. 25
BRASÍLIA. Em explanação na Comissão Mista de Orçamento sobre o Orçamento da União para 2011, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou ontem uma atualização para a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2010, fixando a taxa em 7,5%, contra uma previsão original de 6,5%. Na revisão anterior, feita no início de novembro, a previsão já havia sido atualizada, para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) de 7,2% este ano.
O Planejamento manteve a previsão de um crescimento de 5,5% do PIB para 2011. Mas, com a economia crescendo mais este ano, atualizou o valor nominal do PIB de 2011 para R$ 3,92 trilhões ¿ contra R$ 3,89 trilhões originais.
Com a elevação do PIB, a meta de superávit fiscal primário (esforço fiscal para pagamento de juros) de R$ 125,5 bilhões em 2011 passou a representar 3,20% do PIB, contra 3,22% na proposta original de orçamento enviada ao Congresso.
Na prática, portanto, a meta ficou ainda mais distante dos 3,3% do PIB, taxa que os técnicos do governo costumavam citar como referência.
Isso ocorre porque, em 2011, pela primeira vez, o governo fixou a meta de superávit em valores nominais e não mais em um percentual do PIB. Com isso, a cada mudança no valor do PIB, a relação entre as duas grandezas também muda.
Em 2010, com a elevação do crescimento para 7,5%, o valor nominal do PIB também foi atualizado de R$ 3,52 trilhões para R$ 3,55 trilhões. Mas o ministro fez questão de dizer que alguns já falam em um crescimento de até 8% do PIB esse ano.
Além disso, o governo reduziu um pouco a previsão de inflação pelo IPCA em 2010: de 5,2% para 5,10%. Para 2011, o índice se mantém em 4,50%.