Título: PMDB encampa indicação de Cesar Asfor para STF
Autor: Lima, Maria; Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 19/11/2010, O País, p. 3

BRASÍLIA. O PMDB decidiu encampar a indicação do ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Em reunião ontem com o vice-presidente eleito, Michel Temer, o líder da bancada peemedebista, senador Renan Calheiros, e o presidente do Senado, José Sarney, receberam a missão de levar a defesa do nome ao presidente Lula. A iniciativa alimentou boatos de que o partido pretende com isso acelerar uma definição a respeito da Lei da Ficha Limpa, que teve como um dos alvos o senador eleito Jader Barbalho (PMDB-PA).

Aproveitando que Lula havia anunciado que pretendia consultar o presidente do Senado sobre a possibilidade de o novo ministro do STF ser sabatinado e ter seu nome aprovado pelos senadores este ano, Sarney levou o nome de Rocha a Lula, em almoço no Itamaraty. E disse que o nome seria sim aprovado pelo Senado antes do recesso de meados de dezembro. O nome de Asfor Rocha já constava da lista que está em análise por Lula.

Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter cassado, esta semana, o registro de candidatura do ex-governador Marcelo Miranda (PMDB), eleito senador por Tocantins, o esforço da cúpula peemedebista é tentar salvar o mandato de Jader Barbalho.

A expectativa é que Asfor Rocha, amigo de Sarney, possa colaborar com o partido durante o julgamento da Lei da Ficha Limpa. Ainda que em 2006, quando foi corregedor do TSE, ele tenha seguido o então presidente do tribunal, Carlos Ayres Brito, e votado pelo indeferimento do registro do ex-deputado Eurico Miranda, por considerar que sua candidatura não atendia os princípios da moralidade pública.

O PMDB do Pará está solicitando a anulação das eleições para senador no estado, um caso que certamente vai parar no STF. Na representação, o partido argumenta que a soma dos votos recebidos pelos dois candidatos impugnados - Jader Barbalho e Paulo Rocha (PT) - corresponde a mais de 50% do total de votos para o cargo, o que invalidaria o pleito realizado no dia 3 de outubro.