Título: Refinaria diz que está em dia com obrigações
Autor: Otavio, Chico; Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 21/11/2010, O País, p. 3
Funcionário da ANP afirma que cassou registro de Manguinhos
A Refinaria de Manguinhos informou sexta-feira, em mensagem por e-mail, que desconhece qualquer inquérito aberto pela Polícia Civil para investigar o envolvimento da empresa com fraude na distribuição de combustíveis. No comunicado enviado ao jornal, a refinaria diz que é "uma empresa listada em bolsa de valores e auditada" e está "com as suas obrigações legais e fiscais em dia", razão pela qual "repudia por completo qualquer acusação de práticas de sonegação fiscal".
Manguinhos alega que "os fatos relatados no inquérito mencionado pelo jornalista ocorreram em 2007, sendo, portanto, anteriores à gestão do Grupo Andrade Magro, controlador da refinaria desde dezembro de 2008". No pedido de esclarecimento enviado à empresa, o jornal informou que o inquérito foi aberto com base em notícias de sonegação praticadas em 2007, mas as provas foram colhidas pelos investigadores no decorrer de 2009.
A empresa também informou que as pessoas citadas na investigação "não mantêm qualquer relação de gestão com a Refinaria de Manguinhos". A empresa também afirma que, mesmo desconhecendo a existência de referido material, mas com base no questionamento dos repórteres, "cabe destacar que a Refinaria de Manguinhos e a Companhia Rio Grandense são empresas privadas".
O Grupo Andrade Magro disse estranhar que, caso exista tal investigação, a mesma tenha vazado, "o que configuraria em tese um delito grave". O grupo informou ainda que tomará as medidas judiciais cabíveis para apurar a origem do vazamento.
Já o funcionário da Agência Nacional de Petróleo (ANP) Edson Menezes da Silva, citado no inquérito policial, confirmou ter tido conversas com Ricardo Magro, mas garante não ter conhecimento do inquérito da Polícia Civil. Ele informou que, na época em que era superintendente de Abastecimento da ANP, acompanhado de técnicos da superintendência, recebeu Magro, atendendo a audiência solicitada, o que fazia parte das suas atribuições.
Segundo Edson, a audiência tratou de esclarecimentos sobre exigências da ANP relativas a empresas do grupo que, posteriormente, vieram a ter seus registros cassados pela ANP durante sua gestão como superintendente. Ele afirma que jamais conversou com quem quer que seja, por telefone ou pessoalmente, sobre eventuais fiscalizações da ANP.