Título: Cabral pede desculpas a Dilma
Autor: Camarotti, Gerson; Oliveira, Eliane; Lima, Maria
Fonte: O Globo, 03/12/2010, O País, p. 3

Governador diz que se precipitou ao anunciar o nome de Côrtes

Correspondente

BUENOS AIRES. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), pediu desculpas ontem, durante uma visita relâmpago a Buenos Aires, por ter se ¿precipitado em anunciar o nome de Sérgio Côrtes¿ como futuro ministro da Saúde do governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Segundo o governador fluminense, em conversa com Dilma segunda-feira passada, na Granja do Torto, a presidente eleita disse que ¿tinha muito interesse em ver Côrtes como ministro¿. No entanto, admitiu Cabral, ¿daí a formalizar existe uma diferença¿. O governador reconheceu ter cometido uma ¿deselegância¿, já que ¿cabe à presidente¿ escolher e designar seus ministros.

¿ A precipitação foi minha, errei em ter me empolgado porque o Côrtes é o melhor técnico em saúde pública do Brasil. Estamos aqui em Buenos Aires celebrando uma conquista da nossa política pública, que são as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ¿ declarou Cabral.

A assessoria do governador informou que Côrtes estava em Buenos Aires, mas ele não foi à coletiva. Ontem de manhã, Cabral participou da inauguração da primeira UPA argentina, no município de Lomas de Zamora, na província de Buenos Aires. Estiveram no evento a presidente Cristina Kirchner, o governador da província Daniel Scioli e até mesmo o ex-técnico da seleção argentina Diego Maradona.

Cabral confirmou ter conversado três vezes por telefone com Dilma quarta-feira passada e assegurou que ambos mantêm ¿uma relação de enorme respeito¿. Perguntado sobre a possibilidade de que a nomeação de Côrtes seja confirmada, o governador afirmou que ¿quem deve falar sobre esse assunto é ela (a presidente eleita). Eu não falo mais¿.

Cabral disse que, na campanha eleitoral, Dilma sempre destacou a política de saúde pública do Rio e costumava dizer que ¿vou acabar levando o Cortês¿. Segundo o governador, a escolha do secretário era técnica e não tinha nada a ver com as cotas do PMDB no futuro governo.

¿ Côrtes foi mencionado como técnico, ele nem filiado do PMDB é ¿ enfatizou Cabral.

Em relação à abertura de investigações sobre a gestão do secretário da saúde no Ministério Público do Rio, o governador argumentou: ¿ Isso é fruto de interesses contrariados.

Qualquer administrador está sujeito a ter questionadas as suas ações. São interesses contrariados de uma secretaria honesta e transparente. Faz parte.