Título: Governadores do Nordeste fazem quatro indicações para ministérios
Autor: Camarotti, Gerson; Lima , Maria
Fonte: O Globo, 03/12/2010, O País, p. 4
Wagner diz que não pode haver briga de "paulistério" contra "nordestério"
BRASÍLIA. A pedido da presidente eleita, Dilma Rousseff, governadores aliados do Nordeste se reuniram ontem em Brasília para fechar indicações para o primeiro escalão do governo. Diferentemente do PMDB, não será uma lista impositiva. Os governadores Jaques Wagner (PT-BA), Marcelo Déda (PT-SE), Eduardo Campos (PSB-PE) e o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) decidiram sugerir quatro nomes. Mas, ontem, a sinalização da equipe de transição era de que a cota não passaria de três ministérios para o grupo.
O PT baiano decidiu indicar a atual secretária da Casa Civil da Bahia, Eva Maria Cella Dal Chiavon, para o Ministério do Desenvolvimento Social. Assessora do governador Jaques Wagner, ela foi secretária-executiva da pasta de Relações Institucionais do Palácio do Planalto. Os baianos confiam que ela tem chances, pois ajudaria a preencher a cota de mulheres no governo Dilma. Wagner refuta a ideia de que os nordestinos disputam indicações com os paulistas.
- Não vamos entrar na briga de um "paulistério" contra o "nordestério". As pessoas querem se sentir representadas para ter alguém com linha direta. Isso não é o mais importante. Meu "personograma" anterior não me ajudou em nada - reforçou Wagner, que indicou para o governo Lula o ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, hoje seu desafeto político.
A bancada pernambucana encaminhou o nome do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e ex-prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho, aliado de Eduardo Campos. Outro nome é o do senador Antonio Carlos Valladares (PSB-SE). Aliado de Déda, ele abriria a vaga para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, seu suplente, assumir a vaga no Senado. Mas há indefinição da vaga: Turismo ou o novo Ministério da Micro e Pequenas Empresas.
- Não vamos fazer dessa vitória (da Dilma) um problema, mas sim uma solução. A presidente Dilma tem que ter liberdade para escolher seus ministros - afirmou Campos.
A quarta indicação seria a do ex-governador e senador eleito pelo Piauí Wellington Dias (PT), para o Desenvolvimento Agrário. Dilma resiste em fazer quatro nomeações para o grupo. E conta com a pressão do PT gaúcho, que pretende continuar no comando do ministério.
- Vamos deixar a presidente Dilma muito à vontade. Não haverá pressão - disse Dias.