Título: Rio passa a noite convivendo com alagamentos
Autor:
Fonte: O Globo, 07/12/2010, Rio, p. 14
Ilha do Governador foi o bairro onde mais choveu; por causa de enchentes, acesso ao Catumbi só foi reaberto às 11h
MORADORES DE RUA se abrigam em escadaria de igreja na Rua dos Inválidos para escapar das águas
TÁXI DESVIA de uma cratera aberta pela chuva em Santa Tereza: Defesa Civil atendeu a 48 ocorrências
Simone Cândida, Ana Cláudia Costa e Laura Antunes
As chuvas caíram com mais intensidade entre 21h e 23h, mas os transtornos continuaram por toda a manhã. Segundo o sistema Alerta-Rio, os três bairros que receberam o maior volume de água foram Ilha do Governador (153, 8 milímetros), Santa Teresa (104,2mm) e Laranjeiras (101,2mm). A Geo-Rio recebeu apenas três chamados.
No Catumbi, os acessos ao Túnel Santa Bárbara, como a Rua dos Coqueiros, ainda pareciam um lago nas primeiras horas da manhã. O acesso ao bairro, na saída do túnel, só foi liberado por volta das 11h. Na Rua Senador Vergueiro, no Flamengo, a situação também era crítica. No Shopping RioSul, a água chegou a entrar no primeiro piso, e um deslizamento de terra atrás do prédio atingiu o estacionamento VIP, mas nenhuma loja chegou a fechar.
Na Praia do Flamengo, a enxurrada que arrastou carros estacionados provocou aborrecimentos ao amanhecer, quando os moradores ficaram retidos nas garagens dos prédios. Muitos reclamaram a falta de ajuda da CET-Rio para remover os veículos que obstruíam a pista, como aconteceu na Rua Tucumã.
¿ Não havia um só operador da CET-Rio. O trânsito ficou complicado durante toda a manhã ¿ reclamou um morador da Rua Tucumã.
Segundo o diretor de Operações da CET-Rio, Joaquim Diniz, as equipes do órgão retiraram de diferentes pontos da cidade, da noite de anteontem até a manhã de ontem, 162 veículos que enguiçaram ou foram abandonados durante os alagamentos. Ele alegou ainda que os reboques tiveram problemas para circular por causa das inundações.
Moradores do Flamengo reclamaram também que, durante toda a manhã, muitas calçadas e a Praça José de Alencar permaneceram com lama, dificultando a circulação de pedestres.
Os problemas se repetiram na Zona Norte. Na Rua Campos da Paz, no Rio Comprido, uma banca de jornal foi arrastada pela enxurrada. Na Rua Carolina Machado, o congestionamento ia de Madureira até o viaduto de Cascadura. Quem seguia pela Rua Goiás enfrentava retenção antes de Quintino, por causa de um bolsão de água na altura da passarela de Piedade.
As faixas laterais, nos dois sentidos da Rua Goiás, estavam tomadas pela água de manhã. Para percorrer um trecho de 2km, os motoristas levavam 20 minutos. Na passagem sob linha férrea do Engenho Novo havia um enorme bolsão d¿água.
Na Avenida Presidente Vargas, na altura da Estação Cidade Nova do metrô, um ônibus caiu num grande buraco. Em outubro, o local já havia sido apontado como um ponto crítico pelo secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório. Na época, ele informou que a concessionária teria construído uma rede de drenagem inadequada e faria adaptações. Outro ponto que já havia apontado pelo secretário e voltou a alagar foi a Rua do Senado. Outras ruas do Centro ficaram debaixo d¿água: a dos Inválidos e da Relação foram as mais castigadas. Um alagamento no prédio do Proderj, na Rua da Ajuda, chegou a interromper temporariamente alguns serviços do Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio, que só voltou a funcionar normalmente às 10h.
Segundo a Defesa Civil, das 20h de anteontem até as 8h de ontem foram atendidas 48 ocorrências, a maioria na Ilha do Governador, na Penha e em Botafogo, mas sem casos graves. Os pontos monitorados pela Geo-Rio não apresentaram indícios de deslizamento.