Título: Renovação esvazia Câmara e Senado
Autor: Vasconcelos, Adriana; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 05/12/2010, O País, p. 13

Parlamentares que não foram reeleitos desaparecem e prejudicam quorum

BRASÍLIA. Um mês após o fim do recesso branco, a Câmara retomou votações importantes no plenário só na última semana. No Senado, as atividades no plenário ainda se arrastam. Um reflexo, de certa forma, do alto grau de renovação registrado nas duas Casas. Na Câmara, mais de 40% dos atuais deputados foram vetados pelas urnas. Já entre os 54 senadores em fim de mandato, apenas 12 participarão da próxima legislatura. Há um desânimo entre os derrotados, que resistem em retomar suas atividades.

Algumas estrelas da oposição, como os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), derrotados nas eleições de outubro, desapareceram do Congresso nas últimas semanas.

Outros buscam um lugar ao sol após passarem anos no Parlamento, caso dos senadores Heráclito Fortes (DEM-PI), Efraim Morais (DEM-PB), Marco Maciel (DEM-PE) e Mão Santa (PMDB-PI), que querem uma mudança na regra para poderem se candidatar a uma das 37 vagas do Brasil no Parlasul. Hoje, são só 18 vagas e há a obrigatoriedade de que os representantes sejam parlamentares com mandato.

Há ainda o grupo de derrotados que espera ser contemplado na equipe da presidente eleita, Dilma Rousseff, como a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e o senador Hélio Costa (PMDB-MG). O petista Aloizio Mercadante (SP), que perdeu o governo de São Paulo na disputa com o tucano Geraldo Alckmin, foi convidado para o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Muitos dos que não foram reeleitos eram figuras atuantes no plenário e nas comissões temáticas. Depois de outubro, a maioria deles agora registra presença e evita ficar circulando pelos corredores da Casa. Luciana Genro (PSOL-RS) é um exemplo. Ela marca presença no plenário e depois vai para o gabinete. Não se animou nem em receber o prêmio do Congresso em Foco como uma das mais atuantes da Legislatura.

Legislação impede Luciana Genro de disputar eleição

Mas Luciana já está numa nova luta: criar um ambiente político pelo direito de concorrer ao cargo de vereadora em 2012. Filha do governador eleito, Tarso Genro (PT), ela estaria impedida pela lei eleitoral de concorrer. Amanhã, fará um ato político reivindicando uma interpretação específica do seu caso:

- Estou há 16 anos na vida política e fui expulsa do partido do meu pai. Meu desânimo tem a ver com a situação da Câmara. E, além disso, fico triste de receber o prêmio no momento em que não fui reeleita, por isso quis me poupar.

Em seu primeiro mandato, após abandonar uma carreira de magistrado, o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA) já sente a melancolia de deixar a Câmara. Se não emplacar no Ministério de Dilma, planeja voltar a dar aulas e advogar no Maranhão. Já o líder do PSDB, João Almeida (BA), após seis mandatos, ainda não tem planos para o futuro:

- Por enquanto, estou curtindo o aviso prévio para depois ver o que vou fazer. Nunca fiquei desempregado, vou ver como é e me dedicar a desafios. Voltar à universidade para estudar filosofia, aprender a nadar, a dançar tango e falar mandarim.