Título: Público esperado é bem menor que o de 2003
Autor: Fabrini, Fábio; Maltchik, Roberto
Fonte: O Globo, 01/01/2011, O País, p. 12

Polícia Militar do DF prevê 100 mil pessoas no roteiro das celebrações, um quinto da plateia que prestigiou Lula

BRASÍLIA. A festa para a primeira mulher a presidir o Brasil não terá a magnitude da posse do primeiro metalúrgico a ascender ao Planalto, oito anos atrás, a julgar pelas estimativas das forças de segurança envolvidas na organização do evento. A Polícia Militar do Distrito Federal diz estar pronta para receber um milhão de pessoas, mas conta com, no máximo, 100 mil no roteiro das celebrações, entre a Catedral de Brasília e a Praça dos Três Poderes. A estimativa corresponde a um quinto do público que prestigiou Lula ao longo dos festejos do dia 1º de janeiro de 2003.

Apenas com as atrações artísticas, o Ministério da Cultura estima custos de R$1,5 milhão, além de R$33 mil que serão gastos pela Presidência da República com aluguel de equipamentos. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Palácio do Itamaraty e o Congresso Nacional não divulgaram seus custos com a cerimônia.

Um termômetro da mobilização no país é o esquema montado pelo próprio PT. O diretório nacional deixou para os estaduais a tarefa de organizar caravanas, mas a maioria saiu em recesso, sem montar esquema para a posse. A cúpula do partido mandou confeccionar 50 mil lenços vermelhos, quatro vezes menos do que em 2003. Em estados de militância expressiva, como São Paulo, Minas, Rio, Rio Grande do Sul e Pernambuco, os petistas se moveram por iniciativa própria ou por força dos sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Mesmo assim, o presidente nacional da CUT, Arthur Henrique, explica: não pôs um centavo na posse:

- Vários sindicatos estão organizando ônibus e pacotes para Brasília. Não há um comando nacional. Os sindicatos ficaram de fazer vaquinhas entre os filiados para ratear os custos da viagem - disse.

"É pouco, mas é representativo"

Em São Paulo, a central mobilizou cerca de mil pessoas. Um dos mais entusiasmados é o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Plásticos de São Paulo, Renato Zulato, responsável pela caravana.

- Se comparado com o público que foi a Brasília ver o Lula, em 2003, é pouco, mas é representativo - afirmou Zulato.

Em Porto Alegre, o diretório municipal do PT mobilizou apenas cem filiados. Dois ônibus foram reservados. O restante vai a Brasília de avião. Segundo, o presidente do Diretório Municipal do PT, vereador Adeli Sell, a maior dificuldade é conciliar a festa nacional com a posse do governador Tarso Genro (PT).

Segundo a equipe de transição, três mil pessoas participaram da preparação das cerimônias. Há seis meses, antes mesmo de as urnas se fecharem, o governo já delineava o evento. Depois da eleição, alguns pedidos de Dilma foram adicionados às preocupações da equipe.

Dilma não quer interrupções durante as etapas da posse, e haverá atividades das 14h30m, horário em que ela embarca no Rolls Royce presidencial, até o encerramento do coquetel no Itamaraty, que deve ocorrer às 21h. Ela dispensou baile e jantar. E fez questão de que os convidados brindassem com vinho gaúcho: Casa Valduga.

Foi da equipe de transição a sugestão de Fernanda Takai para o time de cantoras que farão show na Praça dos Três Poderes, a partir das 18h30m. Vão cantar também Zélia Duncan, Mart"nália, Gaby Amarantos e Elba Ramalho. No gramado da Esplanada, totens vão lembrar a história de 24 brasileiras notáveis.