Título: Disputa suspende nomeações para o 2º escalão
Autor: Camarotti, Gerson ; Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 05/01/2011, O País, p. 9

NOVO GOVERNO

Partidos da base aliada brigam por cargos; PMDB estaria estimulando candidaturas à presidência da Câmara

BRASÍLIA. O Palácio do Planalto identificou que a disputa entre partidos da base aliada por cargos no segundo escalão virou uma ameaça real e pode contaminar a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. O elevado grau de insatisfação dos aliados, em especial o PMDB, com a ocupação precoce do PT dos principais cargos dos ministérios e estatais começou a estimular candidaturas contra o nome do deputado Marco Maia (PT-RS), que tem apoio do Palácio do Planalto. Já são pelo menos três novos nomes.

Na tentativa de conter a primeira crise, a presidente Dilma Rousseff ouviu a sugestão do vice Michel Temer e suspendeu as nomeações para o segundo escalão até fevereiro. Em almoço ontem no apartamento de Temer, a cúpula do PMDB concordou com o adiamento, mas que o partido seja consultado.

Mesmo com esse entendimento - e após conversa entre Dilma e o presidente do Senado, José Sarney, na véspera -, ontem mesmo ganhavam força as pré-candidaturas dos deputados Sandro Mabel (PR-GO) e Júlio Delgado (PSB-MG), além das articulações em torno do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

O PMDB estaria, nos bastidores, incentivando as pré-candidaturas. Várias nomes podem levar a eleição para o segundo turno e tornar a disputa em voto secreto imprevisível, como ocorreu em 2005, com a eleição do então deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para o comando da Casa.

O próprio Michel Temer alertou para o risco de rebelião.

- O apoio à candidatura do deputado Marco Maia vem pelo agrado dos deputados e não pelo desagrado dos deputados. Cada eleição tem suas particularidades. Não se pode correr riscos - advertiu Temer. - Em face da reunião de ontem, nós colocamos ordem nas coisas. A ordem é dialogar. A ordem é esta: estão suspensas as nomeações enquanto não houver diálogo.

O Planalto reconhece que a ameaça das candidaturas pode não ser concretizada, mas sabe que não pode descuidar.

- Não há crise com o PMDB. O que há é um debate legítimo com todos os partidos da base que buscam o maior espaço possível. Mas não acredito que essas questões tenham impacto na disputa da Câmara - tentou minimizar Marco Maia.

O ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, conversou com o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), para mapear todos os cargos de segundo escalão em disputa. Antes, tentou pacificar a base:

- Paciência, paciência, paciência! Esse é um governo de continuidade. Portanto, é preciso que a mudança (nos cargos) seja um movimento suave e, não, brusco.

Henrique Alves lembrou que a coalizão que ajudou a eleger Dilma deve ser levada em conta:

- Ganhamos uma eleição de coalizão. Isso não era só para ganhar, mas para governar. Coalizão é participação de todos, não uns atropelando os outros.