Título: Presidente não saiu do Planalto para almoçar
Autor: Gois, Chico de ; Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 09/01/2011, O País, p. 11

Foto da filha, Paula, enfeita a mesa do gabinete presidencial

A presidente deve levar para o gabinete duas telas da artista plástica Djanira - Pescadores e Colhedores de Bananas - que estão na Sala de Reuniões do terceiro andar. Logo no primeiro dia de trabalho, a presidente colocou um objeto muito pessoal: a foto da filha Paula Rousseff, que desfilou com ela em carro aberto no dia da posse.

O comportamento pessoal também é bem diferente do do ex-ocupante do gabinete presidencial. Dilma é mais pontual do que Lula, evitou aparições públicas e discursos na primeira semana e chegou sempre cedo ao Planalto, não indo almoçar na Granja do Torto. Ela almoça no gabinete, na companhia de Giles Azevedo e de ministros da casa, entre eles Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Luiz Sérgio (Relações Institucionais).

O almoço é preparado na cozinha do Torto. A presidente também toma café coado, servido no Palácio, em vez do expresso, pedido por Lula. Dilma gosta de chá de flores, especialmente de jasmim. Na copa do terceiro andar, há sempre gelatina disponível para a presidente. Quando fica até mais tarde, pede lanche. Tudo preparado na cozinha do subsolo do Planalto.

Dos tempos de Lula, ficou o gosto por reuniões. Logo no primeiro dia de trabalho, desdobrou-se em sorrisos e apertos de mãos a autoridades estrangeiras. Na segunda-feira, mais agenda protocolar, com os presidentes dos outros poderes: da Câmara, Marco Maia (PT-RS), do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do STF, Cezar Peluso.

Quem já esteve com a presidente diz que ela é muito segura nas informações. Paulo Bernardo, das Comunicações, afirmou na sexta-feira, depois de participar de reunião sobre o Plano Nacional de Banda Larga, que havia preparado um material sobre o tema para apresentar a Dilma, mas desistiu.

- Ela sabe mais do que eu sobre isso - declarou.

Já na primeira semana, Dilma deu uma enquadrada no ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito Carvalho Siqueira, que dissera que os casos de tortura ocorridos nos porões da ditadura devem ser vistos apenas como uma questão histórica, que não são motivos de vergonha. Torturada na juventude, a presidente não gostou nada da análise sociológica de seu auxiliar.

Num estilo mais gerencial, como já era sua marca na época em que foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma cobrou metas concretas no programa de erradicação da miséria extrema e marcou uma reunião ministerial para a próxima semana.