Título: Rodovias e ferrovias rasgarão florestas
Autor: Melo,Liana ; Batista, Henrique Gomes
Fonte: O Globo, 09/01/2011, Economia, p. 29

Impacto de mais de quatro mil quilômetros ainda sem previsão

Além do desmatamento causado pelas obras do setor elétrico, a Amazônia Legal deverá sofrer com projetos de transporte. O governo planeja, para os próximos quatro anos, construir 1.601 quilômetros de rodovias e outros 2.615 quilômetros de ferrovias, alguns dos quais cortando áreas totalmente preservadas de floresta dos estados de Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Pará.

O Ministério dos Transportes, responsável pelas obras, ainda não tem ideia do impacto ambiental que estas novas vias vão provocar. Entretanto, a pasta já analisa o custo das seis rodovias e das quatro ferrovias planejadas, que juntas podem custar R$8,9 bilhões - isso sem levar em conta duas estradas de ferro ainda sem custo estimado.

Ecologistas apontam as rodovias como os principais indutores do desmatamento, por provocar o efeito "espinha de peixe": a partir de uma nova estrada, pessoas migram por oportunidades, se fixam em seus entornos e ampliam o desmatamento. Alguns especialistas acreditam que as vias chegam a representar 75% do desmatamento da floresta.

Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), diz que sequer há ganhos econômicos nas rodovias:

- Fizemos estudos simulando o transporte de soja do Mato Grosso para exportar, simulando a BR-163, asfaltada, hidrovias e ferrovias. A rodovia desmata mais, emite mais gás do efeito-estufa, exige mais investimentos e manutenção e encarece o frete. (Liana Melo e Henrique Gomes Batista).