Título: Forte chuva mata 13 pessoas e inunda SP
Autor: Carvalho, Cleide; Roxo, Sergio
Fonte: O Globo, 12/01/2011, O País, p. 10

Rios Tietê e Pinheiros transbordaram e cidade virou um caos completo, com inúmeros pontos de alagamento

SÃO PAULO e SÃO JOSÉ DOS CAMPOS. Uma chuva que se prolongou por oito horas consecutivas, entre a noite de segunda-feira e a madrugada de ontem, provocou a morte de pelo menos 13 pessoas em São Paulo. Três delas na capital paulista, onde um homem de 26 anos foi arrastado pela correnteza que se formou em plena avenida do centro da cidade. O Corpo de Bombeiros registrou mais uma morte em Embu, três em Mauá, uma em Mogi das Cruzes e cinco em São José dos Campos, município do interior do estado - sendo três de uma mesma família (mãe e as filhas de 4 e 11 anos). Ao todo, 23 pessoas morreram por conta das chuvas desde o dia 1º de dezembro, segundo a Defesa Civil.

O transbordamento do rios Tietê e Pinheiros contribuiu para elevar para mais de 120 o número de pontos de alagamentos, isolando centenas de motoristas, que tiveram de passar a madrugada na rua. Às 8h da manhã, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) ainda contava 23 pontos totalmente intransitáveis. Imagens de helicópteros mostravam carros encobertos pela água e até pessoas usando mesas da cozinha e remos improvisados para sair de casa. Cinco cidades entraram em alerta: Mauá, Atibaia, Jundiaí, Sumaré e São José dos Campos.

Com pistas alagadas, aeroporto foi interditado

O aeroporto Campo de Marte, localizado na Zona Norte e usado principalmente por jatinhos e helicópteros, teve as pistas invadidas pela água e ficou interditado das 6h até o início da tarde.

O Ceagesp, maior entreposto comercial do país, voltou a alagar, e seu funcionamento foi parcial. A Defesa Civil pediu aos motoristas a caminho da capital que parassem nas estradas e aguardassem a água baixar.

O temporal acabou em tragédia para duas famílias do bairro do Rio Comprido, em São José dos Campos. Quatro casas foram atingidas por um deslizamento de terra que matou cinco pessoas por volta das 23h. Em um dos imóveis, morreram a diarista Adriana Pereira da Silva, de 29 anos, e as suas filhas Camila Fernanda de 11, e Gabriele Vitória, de 4. No outro, as vítimas foram a aposentada Margarida Maria da Silva, de 53, e a filha, Simone de Oliveira, de 26.

-- Tem que pedir para Deus nos dar força para aceitar uma coisa complicada dessa - disse o aposentado José Bonifácio Alves Silva, de 68, sogro de Adriana e avô de Gabriele e Camila.

Em 2010, risco já havia sido identificado

Segundo a Prefeitura de São José dos Campos, o Rio Comprido é um loteamento irregular em área de proteção de manancial. No ano passado, um estudo constatou que no local há 97 casas em situação de risco. Dez famílias foram retiradas na época, e as demais teriam sido notificadas da situação, mas a prefeitura não soube dizer se os imóveis que desabaram faziam parte desse grupo. Depois da tragédia, a prefeitura interditou 40 casas.

Segundo o CGE, de segunda até as 7h de ontem choveu, só na capital paulista, o equivalente a 29% para este mês. A chuva acumulada desde o começo de janeiro chega a 221,2mm, o que equivale a praticamente 93% do esperado para o mês inteiro (que é de 239mm).