Título: Premier de Portugal nega que vá pedir resgate financeiro a UE e FMI
Autor: Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 12/01/2011, Economia, p. 28

BC português prevê recessão em 2011 e dificuldade para cortar déficit

LISBOA, NOVA YORK, BRUXELAS e RIO. O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, disse ontem que o país não pretende solicitar um resgate financeiro internacional, acrescentando que o déficit fiscal de 2010 foi menor do que o previsto. Sócrates fez coro com o ministro de Finanças do país, Fernando Teixeira dos Santos, que mais cedo afirmara que Portugal está fazendo tudo para evitar um pedido de ajuda à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao contrário do que sugeriu no fim de semana uma fonte da UE.

Segundo Sócrates, o déficit fiscal português em 2010 ficou abaixo da meta de 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) acertada com a UE. Isso significa um corte de mais de dois pontos percentuais ante o teto de 2009, de 9,3% do PIB.

¿ O país está fazendo seu trabalho e o está fazendo bem ¿ disse Sócrates. ¿ Portugal foi um dos países da Europa que mais reduziram seu déficit em 2010. Quero assinalar que o governo português e Portugal não pedirão qualquer tipo de assistência financeira, pela simples razão de que não é necessário.

Japão promete comprar bônus de dívida europeia

O tom otimista do premier português, porém, não é compartilhado pelo BC do país, que ontem revelou que a economia deve encolher 1,3% este ano, após ter crescido 1,3% em 2010. O documento do BC contrasta com as previsões do governo de uma expansão modesta em 2011, de 0,2%. A previsão de recessão em 2011 pode complicar os esforços de Portugal para reduzir o déficit fiscal a 4,6% do PIB este ano.

O BC disse que as medidas de austeridade fiscal do governo, como aumento de impostos e cortes salariais no setor público, devem fazer a demanda doméstica cair 3,6% neste ano, enquanto o consumo privado deve diminuir 2,7%.

Segundo o jornal ¿Wall Street Journal¿, autoridades da UE estão discutindo formas de ampliar o fundo de resgate do bloco para países com problemas de dívida fiscal. Hoje o fundo tem 400 milhões, o que seria insuficiente para resgatar uma economia como a da Espanha.

Já o ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, disse ontem o governo de Tóquio está considerando comprar títulos da dívida de países da zona do euro, para ajudar a reduzir a volatilidade dos mercados. A Bolsa de Tóquio recuou ontem 0,29%, diante das preocupações com a crise da dívida europeia.

Na Europa, os investidores preferiram olhar para os balanços corporativos, o que levou o mercado a fechar com alta. Em Londres, o avanço foi de 0,97%; em Frankfurt, de 1,23%; e em Paris, de 1,58%. No Brasil, o índice Bovespa subiu 0,47%, aos 70.459 pontos, puxado por Vale e Petrobras. (Colaborou Bruno Villas Bôas, com agências internacionais)