Título: Jobim e Rosário afinam discurso em reunião
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 13/01/2011, O País, p. 9
Ministros dizem que até Comissão da Verdade é convergente
BRASÍLIA. Os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Maria do Rosário (Direitos Humanos), de pastas que defendiam interesses divergentes no governo Lula, reuniram-se ontem e discutiram temas que classificaram como comuns entre os ministérios. Até a criação da Comissão da Verdade, que prevê apuração de violações de direitos humanos na ditadura, virou tema de convergência.
- Vamos trabalhar conjuntamente. A Comissão da Verdade conta com meu apoio, do Jobim e de todo o governo. O mais importante é que a comissão seja instituída. Não queremos cisões nacionais. Não é uma comissão para civis ou militares. O momento democrático é de composição plena - disse Rosário, à saída do encontro.
Jobim foi no mesmo sentido:
- Não há nenhuma divergência. Há um projeto de lei que será aprovado por ambos os ministros.
Rosário evitou comentar a frase do general José Elito, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, de que a existência de desaparecidos políticos não é motivo de vergonha para o país:
- Não há necessidade que me pronuncie. Não encontraremos no governo duas posições. Encontraremos um governo com a responsabilidade com a memória, mas também com o Brasil do futuro.
A relação entre Jobim e o ex-ministro Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos, no governo Lula, foi bem diferente. Os dois se desentenderam sobre o Programa Nacional dos Direitos Humanos. Vannuchi defendeu punição para torturadores, posição que não tem o apoio de Jobim.
Jobim e Rosário discutiram ainda ações conjuntas, como uso do Exército para campanhas de emissão gratuita de certidão de nascimento.