Título: Fórum Econômico vê desequilíbrio
Autor: Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 13/01/2011, Economia, p. 19
Relatório alerta para riscos fiscal e comercial, além da situação dos recursos naturais e comércio ilegal
Pouco mais de dois anos após o estouro da crise financeira global, os desequilíbrios fiscal e comercial, bem como a volatilidade das moedas, continuam no topo das preocupações de governos e especialistas. É o que diz o relatório ¿Riscos Globais 2011¿, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial, em Londres. A sexta edição do estudo aponta ainda a pressão sobre os recursos naturais e o comércio ilegal como questões a serem resolvidas nos próximos dez anos.
¿A severidade e a frequência dos riscos para a estabilidade econômica global cresceram enquanto a capacidade dos sistemas de governança global de enfrentar esses riscos estagnou¿, diz o relatório, feito a partir de consultas feitas a 580 especialistas de vários países.
O documento aponta três grandes grupos de risco: desequilíbrios macroeconômicos, economia ilegal e limitação de recursos naturais. No primeiro grupo, o endividamento público das nações ricas é apontado como uma grande preocupação. Em 2010, a média da relação dívida líquida/PIB do G-7 beirava 80%. Em 2000, estava abaixo de 60%.
¿ Os desequilíbrios fiscal, monetário e de comércio nunca estiveram tão fortes e interrelacionados ¿ afirma Richard Greenhill, diretor da unidade de Negócios do Fórum Econômico Global.
Boa parte desse desequilíbrio, avalia ele, decorre da disparidade econômica e das falhas de governança em diagnosticar os problemas. Por isso, o Fórum planeja lançar uma nova Rede de Resposta ao Risco durante sua reunião anual, em Davos, na Suíça, que será realizada entre 26 e 30 deste mês.
¿ Desde 2007, tivemos a crise alimentar, a crise do petróleo e a crise financeira e não conseguimos prevê-las a tempo de evitá-las. Só esta última custou aos cofres públicos mais de US$2 trilhões ¿ frisa Greenhill.
Segundo o documento, a demanda por água, alimento e energia vai crescer de 30% a 50% em 20 anos. Se a oferta não aumentar no mesmo ritmo, o descompasso pode levar ¿a instabilidades políticas e sociais, conflitos geopolíticos e danos irreparáveis ao meio ambiente¿.
O Fórum afirma que, em 2009, o comércio ilegal mundial movimentou US$1,3 trilhão. As drogas farmacêuticas lideram a conta, com US$200 bilhões anuais, seguidas pela prostituição, com US$190 bilhões por ano.