Título: Defesa de cortes para país crescer, elevar investimentos e baixar juros
Autor: Barbosa, Flávia ; Beck, Martha
Fonte: O Globo, 15/01/2011, O País, p. 4
Média de crescimento do PIB no governo Dilma será de 5,9%, diz Mantega
BRASÍLIA. Coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, reforçar o discurso de austeridade do primeiro escalão nos últimos dias, durante a primeira reunião ministerial do governo Dilma Rousseff. Em apresentação sobre as perspectivas otimistas da economia para os próximos quatro anos, Mantega pôs a redução dos gastos de custeio como condição para a continuidade do crescimento sustentável, abrindo espaço para investimentos e queda dos juros.
- Agora que a economia está consolidada, temos de fazer um esforço de redução desses gastos de modo que as contas públicas continuem sólidas e equilibradas, e que possamos preencher os objetivos de superávit primário e redução da dívida versus PIB - disse Mantega, após a reunião ministerial.
A receita para assegurar solidez fiscal, continuidade e expansão dos investimentos, redução dos juros e novas desonerações inclui ainda contenção de novos gastos decorrentes de projetos que tramitam no Congresso. O ministro enfatizou, porém, que "não se trata de um ajuste fiscal clássico", que implique desemprego, recessão e redução de investimentos. O esforço será para racionalizar despesas com aumento da eficiência do gasto.
Mantega também divulgou as primeiras projeções oficiais para o ritmo de expansão do PIB nos quatro anos do governo Dilma. A média de crescimento, que nas projeções da gestão passada era de 5,5%, subiu para 5,9%.
Segundo a Fazenda, em 2010 a economia teve expansão de 5%, deve subir a 5,5% em 2011 e manter ritmo de 6,5% nos dois últimos anos da gestão da petista. Se confirmadas as previsões, o PIB de Dilma terá alta média 47,5% superior aos 4% entregues pelo ex-presidente Lula e 126,9% superior à média de 2,6% dos anos Fernando Henrique.
A Fazenda também reviu para cima a projeção para a taxa de investimento da economia, que, em seus cálculos, fechou 2010 a 19% do PIB. A previsão é que este indicador alcance 24,1% do PIB em 2014. O percentual é 2,6 pontos percentuais superior à previsão oficial da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), lançada no fim de março do ano passado.
- Investimento é fundamental para o país. Estamos com nível de investimento em torno de 19% do PIB. Cresceu bastante, mas é insuficiente. A cada ano temos de aumentar mais - disse o ministro.
Na exposição de 28 telas para o primeiro escalão, na reunião, Mantega fez leitura positiva da economia na gestão de Lula e da forma como o governo anterior enfrentou a crise global. A elevação dos gastos de custeio em 2009 e 2010 foi apresentada como uma das medidas anticíclicas. Mas o ministro deixou claro que, no governo Dilma, esses gastos terão de encolher.
As despesas de custeio estão no centro do debate sobre a forma de ajustar o Orçamento de 2011 ao tamanho da receita, garantindo um superávit mais robusto nas contas do que em 2010. A maior dificuldade do governo para definir o tamanho desse corte é montar uma equação que não prejudique excessivamente os investimentos.
Qualquer que seja a redução, os técnicos sabem que os investimentos serão afetados pelo corte, que precisa ser grande o suficiente para ajudar o BC na missão de conter a inflação e passar ao mercado sinal de que o governo está comprometido com a austeridade. Isso não será possível só reduzindo gastos com passagens e diárias, por exemplo, que chegam a apenas R$2 bilhões das despesas.