Título: Presidente do BC diz em Davos que Brasil tem que lidar com abundância
Autor: Berlinck, Deborah
Fonte: O Globo, 29/01/2011, Economia, p. 26
Tombini afirma que há excesso de demanda, mas inflação segue sob controle
DAVOS, Suíça. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse ontem no Fórum Econômico Mundial que lidar com o crescimento acelerado do Brasil é um dos principais desafios da equipe econômica. Mas tranquilizou a plateia do fórum, dizendo que o país tem os instrumentos para isso. Ele disse ainda que o Brasil está lidando com a inflação, "que está relacionada ao choque dos preços das commodities", mas acrescentou que "isso não é um grande problema", porque a inflação está dentro do intervalo do sistema de metas.
- Temos que lidar com a abundância. Temos excesso de demanda e excesso de fluxo de capital - disse Tombini.
O presidente do BC lembrou ainda que o Brasil já fez apertos monetários e tomou medidas para conter o avanço do crédito. Ele acrescentou que seguirá seus dois objetivos: estabilidades monetária e financeira, num quadro de contenção da inflação. Tombini também disse que a valorização do real "é uma situação temporária", reflexo do ambiente externo.
BNDES não vai aumentar investimentos em 2011
Já o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, confirmou que o banco não vai elevar os investimentos este ano, como parte do esforço do governo de Dilma Rousseff para desacelerar a economia. Mas tampouco vai diminuir. Segundo ele, a ideia é manter este ano o mesmo nível de investimentos de 2010, em torno de R$144 bilhões.
Num debate dedicado ao Brasil no Fórum Econômico Mundial, Coutinho explicou que as operações do banco dobraram em dois anos, e que isso foi uma ação anticíclica importante, num momento de crise. Mas agora, como o país esta recuperado, é hora de retrair:
- Agora é hora de moderar nossas operações - disse, ressalvando que, se, de um lado, é preciso moderar o consumo e cortar gastos do governo, de outro, é importante apoiar investimento.
- É isso que o Brasil precisa: temos que passar de 19% para 23% ou 24% as taxas de poupança e de investimento (em relação ao Produto Interno Bruto - PIB, conjunto de bens e serviços produzidos).
Para Coutinho, diminuir os investimentos do BNDES seria "pouco inteligente". Por outro lado, não aumentar os investimentos, abriria espaço para maior participação do setor privado no financiamento de projetos no Brasil, especialmente empréstimos de até sete anos. Coutinho disse que é importante que os investimentos cresçam mais do que o PIB no Brasil.
Já a chanceler alemã, Angela Merkel, disse ontem que os demais países da zona do euro deveriam seguir o exemplo de austeridade da Alemanha.
- Poupança e crescimento não são incompatíveis - disse.
O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, por sua vez, fez um prognóstico otimista da recuperação da economia americana, mas sem dar sinais de corte do desemprego.