Título: PM ocupa Assembleia Legislativa do Paraná
Autor: Carvalho, Ana Paula de
Fonte: O Globo, 03/02/2011, O País, p. 12
Exonerados, seguranças comissionados se recusavam a deixar seus cargos e ameaçavam deputados
PMs CERCAM a Assembleia Legislativa do Paraná: ¿Nós éramos reféns de alguns seguranças¿, diz Rossoni
CURITIBA. O novo presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), determinou ontem a ocupação da Casa por cerca de 200 policiais militares desde a madrugada para garantir a demissão de seguranças comissionados, que fizeram ameaças de represálias caso não fossem mantidos nos cargos. Os seguranças haviam sido exonerados, mas se recusavam a deixar a Assembleia. Alguns deles teriam exibido as armas para deputados:
¿ Nós éramos reféns de alguns seguranças. Para contratar alguém para a limpeza do prédio, tinha que passar pelo crivo da segurança e isso não podia perdurar. Invadiram meu gabinete e queriam a garantia de que não ia acontecer nada de estranho com eles. Eles mandavam aqui. Tinham mais poder que muito deputado ¿ desabafou o presidente da Assembleia, que anunciou uma auditoria nas contratações da Casa e demissão da diretoria antiga.
Dos 2 mil funcionários comissionados da Assembleia, 50 eram da segurança da Casa e estavam exonerados desde 31 de dezembro de 2010, mas se recusavam a deixar os postos.
¿ Todos os seguranças da Casa foram demitidos e vai ser trocado o sistema de segurança da casa, que será feita pela PM ¿ disse Rossoni.
A operação teve início por volta das 2h30m, quando a PM bloqueou os acessos à praça em frente ao prédio e todos os acessos das ruas próximas. Os seis servidores que faziam a segurança foram retirados de seus postos. Segundo Rossoni, esses funcionários nem poderiam estar ali, já que faziam a segurança apenas durante o dia. À noite, a segurança era assumida por uma empresa privada.
Durante a madrugada, o clima ficou tenso e houve bate boca com os policiais. O presidente do Sindilegis, Edenilson Ferry, que tentava entrar no prédio, desafiou a polícia. A medida foi defendida pelo governador Beto Richa (PSDB), que autorizou a ação da PM.
Rossoni disse que as despesas com os funcionários comissionados devem representar economia de cerca de R$5 milhões aos cofres públicos, mas não soube informar o montante envolvido apenas com seguranças comissionados ou o contrato mantido com a empresa Embrasil, que fazia a segurança noturna.
O presidente do Sindicato dos Servidores da Assembleia, Edenilson Carlos Ferry, que é um dos exonerados, disse que a operação é uma retaliação contra denúncias que o sindicato teria contra Rossoni:
¿ Ele tem mais de 50 funcionários em seu gabinete, alguns ganhando mais do que deputados, e contratos superfaturados do tempo em que era segundo secretário.
De acordo com denúncias feitas em março de 2010 pelo jornal ¿Gazeta do Povo¿ e pela TV RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná, a Assembleia mantinha cerca de 600 funcionários fantasmas e sofreu desvios da ordem de R$100 milhões