Título: Brasil e EUA contra regulação agrícola
Autor: Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 04/02/2011, Economia, p. 26
Visita de secretário do Tesouro servirá para afinar discurso
BRASÍLIA. O governo vai aproveitar a visita do secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, a Brasília, na segunda-feira, para tentar afinar o discurso dos dois países na reunião ministerial do G-20, nos dias 18 e 19, em Paris. A ideia é evitar que a proposta defendida pela Europa, capitaneada pela França, de regular os preços dos produtos agrícolas, que dispararam nos últimos meses, interfira neste que é um dos principais nichos de mercado para o Brasil e acabe se tornando uma medida protecionista.
Em 2010, as commodities representaram 70% do superávit comercial brasileiro. E os preços tiveram papel maior do que o volume embarcado nesta equação. Embora arque com o custo inflacionário da alta de preços de itens como alimentos e aço, o Brasil é o segundo maior exportador de commodities do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Outros potenciais aliados nessa briga no âmbito do G-20 são Austrália e Canadá.
No primeiro pronunciamento à frente da presidência do G-20, no último dia 24, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, destacou a necessidade de se conter a volatilidade dos preços e garantir a segurança alimentar nos países mais pobres. O embaixador da França no Brasil, Yves Edouard Saint-Geours, disse ao GLOBO que é importante que haja uma regulação dos mercados financeiros no que se refere às matérias-primas, para evitar abusos e manipulações, e não nos mercados físicos.
- A intenção da presidência do G-20 não é resolver sozinha os problemas, mas tentar construir o consenso entre os países. Existe uma preocupação com a excessiva volatilidade dos preços das matérias-primas. O que se quer é evitar uma nova crise de volatilidade como a de 2008. Para isso, é preciso que os mercados tenham transparência - disse o embaixador.
A pauta das conversas com Geithner inclui, além de G-20, a visita do presidente Barack Obama ao Brasil em março. O secretário do Tesouro se encontra em Brasília com Mantega e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, além estar com empresários e economistas em São Paulo. Ele também poderá ser recebido pela presidente Dilma Rousseff.