Título: Consumo de energia no Nordeste cresceu 7%
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 06/02/2011, Economia, p. 41

Para discutir o apagão na região, ministro Edison Lobão se reúne amanhã com ONS, distribuidoras, Chesf e Aneel

BRASÍLIA. Os blecautes de energia estão se repetindo no Nordeste e um problema que se apresenta é se, com o crescimento do consumo de energia ¿ só em 2010 foi de 7% ¿, não será necessário construir linhas de transmissão e geradoras de energia (termelétricas, eólicas, nucleares e hidrelétricas) para a região. Na madrugada de sexta-feira, 47,7 milhões de pessoas ficaram sem luz, no maior apagão da história da região.

Amanhã, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que classificara o blecaute como uma ¿interrupção temporária de energia¿, se reunirá no Rio com Operador Nacional do Sistema (ONS), distribuidoras dos oito estados, Chesf ¿ subsidiária da Eletrobras que responde por hidrelétrica de Sobradinho e linhões de transmissão ¿ e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que determinará a punição aos culpados. Está prevista uma radiografia do que ocorreu para evitar que o problema se repita.

O crescimento do consumo de energia em 2010 nos estados nordestinos, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), chegou a 7%. A principal causa foi o aumento da demanda do setor metalúrgico. Em Pernambuco, onde houve forte crescimento econômico com a ampliação das atividades no Porto de Suape, a expansão de consumo foi de 12%.

Mas o consultor Afonso Henriques descartou a construção de mais linhas de transmissão e novas grandes usinas para solucionar o atendimento do Nordeste e de todo o Brasil. Segundo ele, que foi também secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia e diretor da Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a saída é criar um novo sistema de geração, desta vez local, perto do consumidor.

¿ Os prédios tem que ter geração local. Vamos usar o gás natural para esta geração.

Estes sistemas serão menores do que as Pequenas Centras Hidrelétricas (PCHs), serão grupos geradores de 250 quilowatts. Ele contou que atualmente quase todos os escritórios em São Paulo tem grupo gerador. E alertou que a sociedade não pode ficar sem energia por muitas horas como aconteceu nos estados nordestinos.

¿ Quanto mais linhão, mais usinas como Belo Monte e as do rio Madeira (Jirau e Santo Antonio), mais o sistema vai ficar vulnerável ¿ disse.

Chesf investiu menos do que o previsto

Para o especialista, o ONS não muda o critério de operação do sistema:

¿ Estamos no século XXI e o ONS ainda está usando os mesmos métodos do início do século passado. É necessário mudar o conceito.

Os investimentos da Chesf, a principal geradora e transmissora do Nordeste no ano passado, chegaram a R$790 milhões, 73,2% do que estava previsto. No total, estavam disponíveis para a estatal R$1,08 bilhão.

Segundo o governo, uma falha em um componente eletrônico do sistema de proteção da subestação de Luiz Gonzaga, na divisa de Bahia e Pernambuco, causou o último apagão. Apesar da extensão do problema, o ministro defendeu que o sistema elétrico brasileiro é ¿moderno e robusto¿, afastando risco sistêmico ou de apagões na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.