Título: Após troca em Furnas, governo põe ex-executivo da Cemig na Eletrobras
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 05/02/2011, Economia, p. 25
ÀS ESCURAS: Pressões do PMDB para controlar setor desagradam presidente
Estatal até agora vinha sendo dirigida por apadrinhado de José Sarney
O MINISTRO Lobão conversou com Dilma sobre José da Costa Carvalho, escolhido por ela para a Eletrobras
BRASÍLIA.A presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar a mudança nos principais cargos do setor elétrico depois da crise política envolvendo o comando de Furnas. O escolhido por ela para comandar a Eletrobras será o ex-presidente da Cemig José da Costa Carvalho Neto. O nome foi fechado ontem, depois de uma reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Mas o anúncio oficial só deve ser feito na próxima semana.
Carvalho Neto é afilhado político do ministro de Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e do ex-ministro das Relações Institucionais Walfrido Mares Guia. Dilma mandou avisar ao PMDB que a decisão estava tomada para evitar a repetição das ameaças do dia anterior, quando nomeou Flávio Decat para presidir Furnas, um antigo feudo da bancada do PMDB do Rio de Janeiro.
Com a substituição na Eletrobras, Dilma volta a ter o controle pessoal da principal estatal do setor elétrico, até então era presidida por José Antonio Muniz, afilhado político do senador José Sarney (PMDB-AP). Como compensação, o grupo político de Sarney agora faz lobby para transferir Muniz para o comando da Eletronorte.
"Enquadramento pedagógico" de aliados na briga por cargos
No Palácio do Planalto, a avaliação é que o endurecimento de Dilma com a bancada do PMDB da Câmara teve como objetivo servir de "enquadramento pedagógico" para todos os partidos da base aliada nas negociações do segundo escalão. Por isso, deixou claro que não vai aceitar chantagens e ameaças de aliados para nomeação de cargos. A ideia é que esse enquadramento do PMDB sirva como um padrão para o loteamento de todos os postos do governo de agora em diante. Irritada com a faca no pescoço, Dilma teria chegado a desabafar ontem com interlocutores: "Quem foi eleita fui eu. Se eles pensam que mandam no meu governo, estão enganados!"
No Planalto, o comportamento agressivo do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), deixou marcas. Segundo o relato de participantes do encontro que terminou na madrugada de quinta-feira, o peemedebista ultrapassou todos os limites para tentar manter o comando de Furnas.
No momento mais extremo da conversa, o peemedebista chegou a ameaçar Antonio Palocci com a possibilidade de um surgimento de uma CPI, como argumento para satisfazer o pedido da bancada do PMDB do Rio de Janeiro. Em outra reunião, no início da tarde de quinta-feira, dessa vez no Palácio do Planalto, Henrique Alves teria reagido de forma dura à escolha de Decat.
"Não posso aceitar. Isso é uma intervenção em Furnas!", teria dito Alves, segundo um participante do encontro.
Ontem, em tom mais ameno, Henrique Alves comunicou que o PMDB da Câmara entregará ao governo em duas semanas a lista de cargos que pretende ocupar no segundo escalão do governo federal, dentro do critério técnico já determinado por Dilma. Mas, no Planalto, a chantagem de Henrique Alves está na coluna de débitos.
No BB, disputa por três vice-presidências
A disputa por nomeações também esquentou no Banco do Brasil (BB). Estão na disputa três vice-presidências. Uma delas é a de Agronegócios, ocupada hoje por Luís Carlos Guedes, técnico respeitado da área. Para seu lugar está cotado Gilson Bittencourt, atualmente secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, que também tem grande experiência na área agrícola.
Outra é a de Governo, hoje nas mãos de Ricardo Oliveira. Para seu lugar, fala-se no ex-senador Osmar Dias (PDT-PR), que nas últimas eleições concorreu ao governo do Paraná para dar palanque para a presidente Dilma, mas não foi eleito. A última em disputa é a de Tecnologia, hoje comandada por Geraldo Dezena da Silva, muito próximo ao PT. Ainda não há um nome para o cargo.
COLABOROU Patricia Duarte