Título: Carreira com peso de acusações
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 05/02/2011, Economia, p. 25

Carvalho Neto foi suspeito de envolvimento em mensalão mineiro

BELO HORIZONTE. Antes de abrir, há 11 anos, a Arcadis Logos Energia, o engenheiro eletricista José da Costa Carvalho Neto passou a maior parte de sua carreira no serviço público. Na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), passou pelos cargos de superintendente e gerente de departamento até se tornar diretor de Distribuição e membro do Conselho de Administração.

Em julho de 1998, ele assumiu a presidência da Cemig em lugar de Carlos Eloy Guimarães, que foi coordenar a campanha de reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo do estado. Carvalho Neto só ficou até janeiro de 1999 e acabou indiciado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o desvio de R$1,6 milhão da Cemig para a campanha de Azeredo, no chamado "mensalão mineiro". E, nos próximos dias, ele será citado como réu em um processo por improbidade administrativa. O caso refere-se a uma aquisição de software para a Cemig, questionada pelo Ministério Público.

A PF indiciou Carvalho Neto pelo crime de peculato (apropriação de dinheiro público) porque ele comandava a estatal à época de um contrato entre a Cemig e a SMP&P, do publicitário Marcos Valério, para uma campanha educativa sobre uso de energia - mas funcionários envolvidos declararam à PF desconhecer a campanha. A PF considerou o contrato uma fachada para o desvio de recursos à reeleição de Azeredo. Nas investigações, apurou-se que R$218 mil foram para outras empresas do publicitário, e R$1,4 milhão, para uma gráfica registrada em nome de laranjas.

Diretor quando da assinatura do contrato, Carvalho Neto foi indiciado por ser presidente na época dos repasses. Mas ele e outros cinco diretores acabaram não sendo denunciados por não haver provas do envolvimento direto de Azeredo e de Walfrido dos Mares Guia no desvio. O procurador-geral determinou que fosse feita uma denúncia na Justiça estadual, o que ainda não ocorreu. Ontem a Cemig negou que a campanha fosse forjada e informou que não há processo em curso contra os dirigentes.