Título: Lula: Água mole em pedra dura tanto bate...
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Fonte: O Globo, 08/02/2011, O Mundo, p. 25

Ex-presidente defende revolta no país

DACAR. Sem a cautela inerente ao cargo que deixou de ocupar em janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou, ontem, críticas a ONU, Europa e Estados Unidos durante sua participação no Fórum Social Mundial no Senegal. Lula chegou a dizer que os EUA seriam, ¿possivelmente¿, os causadores da discórdia no Oriente Médio.

¿ Há muito tempo todo mundo sabia que era preciso que voltasse a democracia no Egito. As pessoas se incomodam com Cuba, com o Chávez, e as pessoas deixaram de ver que (Hosni) Mubarak estava lá fazia 32 anos (sic). As pessoas não enxergam. Então, as grandes potências que dão sustentação a essas políticas de repente ficam surpresas quando acontece uma movimentação da sociedade.

Lula usou um ditado popular para explicar a crise:

¿ O que está acontecendo no Egito é muito simples. ¿Água mole em pedra dura tanto bate até que fura¿¿ disse ele, que alinhavou: ¿ A sociedade se manifesta porque quer respirar. E ainda as pessoas falam: fulano não vai ser candidato, mas vai indicar o filho, o neto, o bisneto. O povo, chega uma hora, fala ¿eu existo, também quero participar, governar¿. É importante.

Questionado se a situação do Egito não era a mesma que a do Irã, governada por seu amigo Mahmoud Ahmadinejad, Lula respondeu:

¿ É diferente. É que no Irã tem eleição¿ disse ele, rebatendo ainda a comparação com as eleições egípcias:¿ Só que com a eleição, os presidentes do Irã mudam e no Egito não mudou em 32 anos (sic).

Lula também classificou como ¿importante¿ a participação do Brasil no processo de paz do Oriente Médio.

¿ Se foi a ONU que criou o Estado de Israel, porque não coloca a paz? Por que ficam os Estados Unidos querendo ser os donos da paz lá? Se possivelmente eles são o causador da discórdia?

Sobre a ONU, disse que ¿não representa em 2010, 2011, 2015, aquilo que ela representou em 1948¿.

¿ O mundo está mal representado. A geografia mudou ¿ disse ele, reiterando que o Brasil deveria ter um assento permanente no Conselho de Segurança.