Título: Obama: corte de US$1,1 tri
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Fonte: O Globo, 14/02/2011, Economia, p. 17
Novo Orçamento promete redução de gastos para combater déficit fiscal de US$1,48 tri
BARACK OBAMA terá de cortar gastos com programas sociais e de infraestrutura a fim de atingir seu objetivo de reduzir o déficit fiscal a 3% do PIB até 2015
WASHINGTON
Opresidente Barack Obama, que apresenta hoje seu terceiro Orçamento anual, vai prometer reduzir o déficit em US$1,1 trilhão na próxima década, a fim de estabilizar a saúde fiscal dos Estados Unidos e ganhar tempo para lidar com os problemas de longo prazo, afirmou ontem um alto representante do governo. O Partido Republicano, de oposição, no entanto, já avisou que vai exigir cortes maiores nos gastos do governo.
O diretor de Orçamento da Casa Branca, Jack Lew, disse que a proposta orçamentária coloca o governo no caminho certo para reduzir à metade o déficit fiscal do país no fim do mandato de Obama.
¿ Estamos reduzindo programas que são importantes, mas estamos fazendo o que toda família faz ao sentar na mesa da cozinha: estamos fazendo as escolhas sobre aquilo de que necessitaremos no futuro ¿ disse Lew à rede CNN.
Segundo o jornal ¿The New York Times¿, entre os cortes previstos para o Orçamento do ano fiscal 2012, que começa em 1º de outubro, estão mais de US$1 bilhão em recursos para aeroportos e outro US$1 bilhão em repasses aos estados para usinas de tratamento de água e outros projetos de infraestrutura. Programas de saúde pública e reflorestamento também seriam afetados.
O ¿Times¿ informou ainda que Obama vai prorrogar os cortes de impostos criados no governo George W. Bush ¿ mas não para quem tem rendimento anual acima de US$250 mil. Essa perda de arrecadação está prevista nos déficits para os próximos anos.
Para republicanos, não é o bastante
Os republicanos, que controlam a Câmara dos Representantes, afirmaram que os cortes de gastos propostos por Obama não são suficientes para controlar o crescente déficit federal. Segundo o ¿Times¿, a oposição quer enxugar o Orçamento já no corrente ano fiscal em US$100 bilhões. Os republicanos garantem que seus planos irão ainda mais longe.
¿ Ele (Obama) vai apresentar um Orçamento que continuará a destruir empregos ao gastar demais, emprestar demais e cobrar impostos demais ¿ disse o presidente da Câmara, John Boehner, à rede NBC.
O presidente do Comitê de Orçamento da Câmara, o republicano Paul Ryan, fez coro:
¿ Ainda veremos os detalhes, mas me parece que haverá muito pouco em disciplina fiscal e muitos gastos novos em supostos investimentos ¿ disse Ryan à Fox News. ¿ Emprestar e gastar não é o caminho da prosperidade. O déficit de hoje é o aumento de impostos de amanhã, e isso custa empregos.
As estimativas apontam que o déficit orçamentário atinja US$1,48 trilhão neste ano fiscal, que termina em 30 de setembro. Isso equivale a 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos em um ano) dos Estados Unidos. Seria um recuo frente ao último ano fiscal, cujo déficit atingiu 10% do PIB, mas ainda é um patamar muito elevado para a média histórica da economia americana.
Fontes disseram ao ¿Times¿ que, com esse Orçamento, em 2015 o déficit fiscal ficará pouco acima de 3% do PIB, mantendo-se em torno desse patamar até 2021. Depois disso, no entanto, o envelhecimento da população e o aumento dos gastos com serviços de saúde elevariam o déficit novamente.
Governo quer elevar arrecadação
A Casa Branca projeta que dois terços do US$1,1 trilhão venham de cortes de gastos. O restante viria da arrecadação de impostos, por meio do fechamento de várias brechas fiscais, segundo fontes que tiveram acesso ao texto do Orçamento.
Esse montante é bem maior que os US$400 bilhões prometidos por Obama no discurso do Estado da União, ao falar do congelamento de gastos nos próximos cinco anos.
¿ O desafio é viver dentro de nossos meios e, ao mesmo tempo, investir no futuro ¿ disse Lew, acrescentando que para isso é preciso fazer escolhas difíceis. ¿ Há centenas de programas sendo reduzidos.
Os gastos do Pentágono seriam reduzidos em US$78 bilhões, informou à agência de notícias Reuters uma fonte do governo.
Além do Orçamento, democratas e republicanos ainda vão discutir o aumento do limite de endividamento do governo federal, hoje em US$14,3 trilhões. Este tem de ser aprovado até maio. Caso contrário, os EUA entrarão em risco de calote da dívida, o que teria consequências devastadoras para a economia global.