Título: Militares egípcios tranquilizam Israel
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Fonte: O Globo, 14/02/2011, O Mundo, p. 24

Barak, no entanto, alerta que eleições em prazo curto fortalecerá islamistas

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TEL AVIV. Israel e Egito parecem ter acertado os ponteiros para este momento de transição ¿ pelo menos enquanto os militares estiverem no poder. O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, conversou amigavelmente, por telefone, com o colega egípcio, o general Mohamad Hussein Tantawi, que encabeça o Conselho Militar Supremo do Egito. O diálogo aconteceu no sábado à noite, pouco depois que os militares egípcios anunciaram que vão honrar os acordos internacionais, entre eles o de Camp David, que selou a paz entre os dois países, em 1979. O telefonema foi breve. Mas o teor fez com que a cúpula política e militar israelense deixasse a tensão de lado, pelo menos por agora.

¿ Temos a responsabilidade de evitar a situação que nós dois vivemos em 1973 ¿ disse Barak ao colega egípcio, que prometeu manter a estabilidade e o status quo com Israel.

Ehud Barak se referiu à última guerra travada entre Israel e Egito, a de Yom Kippur, durante a qual ele e o ministro egípcio se enfrentaram como inimigos. Tantawi como Comandante da Divisão no deserto do Sinai e Barak, como Comandante do Batalhão Blindado no mesmo território ¿ ocupado por Israel ao fim do conflito e depois devolvido como parte do acordo de paz.

Ontem, Barak voltou a demonstrar otimismo. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da rede americana ABC, ele disse acreditar que o relacionamento entre Israel e Egito ¿não corre perigo¿. Ele afirmou que o que acontece agora no país vizinho não é comparável com a Revolução Islâmica iraniana de 1979, mas alertou para que a convocação de eleições num prazo curto demais fortalecerá a Irmandade Muçulmana, o grupo islâmico oposicionista que preocupa Israel.

¿ Os reais vencedores numa eleição de curto prazo em, digamos, 90 dias, será a Irmandade Muçulmana, porque eles já estão prontos. É o único grupo que é coerente, focado e pronto para fazer todo o necessário para tomar o poder. Isso precisa ser evitado no Egito porque poderia ser uma catástrofe para toda a região ¿ afirmou Barak, mesmo admitindo que muitos integrantes do grupo são ¿menos extremistas¿ do que se pensa.

Quanto à Jordânia, Barak disse que o país vizinho, com o qual Israel assinou um acordo de paz em 1994, ¿é forte¿.

¿ Acho que eles vão se segurar ¿ afirmou, referindo-se ao regime do Rei Abdullah.

O alívio de Ehud Barak quanto ao Egito sob comando militar foi espelhado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Na reunião de gabinete de ontem, o premier reafirmou que o acordo de Camp David é ¿a pedra fundamental¿ da estabilidade entre Israel e o Egito e em todo o Oriente Médio. Ele já havia usado a expressão em comunicado no sábado, no qual saudou a decisão dos militares egípcios de honrar os acordos internacionais.