Título: Decat assume Furnas e promete transparência
Autor: Otavio, Chico
Fonte: O Globo, 16/02/2011, O País, p. 11

Posse ocorre em meio à investigação de que empresas ligadas a políticos foram favorecidas em negócios com estatal

Em cerimônia marcada pela ausência de políticos, o engenheiro Flávio Decat assumiu ontem a presidência de Furnas Centrais Elétricas. Nome com perfil técnico, escolhido pela presidente Dilma Rousseff para substituir Carlos Nadalutti Filho, que era indicado pelo PMDB fluminense, Decat toma posse na semana em que a estatal é visitada por auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU). Eles investigam denúncias de que empresas ligadas a políticos teriam sido favorecidas em negócios com Furnas.

Depois de prometer, no discurso, "incrementar mais ainda a prática de uma governança correta, eficiente e, principalmente, com transparência absoluta", o novo presidente disse, após a cerimônia, que buscará pacificar a empresa. Há três semanas, O GLOBO divulgou um dossiê, produzido por engenheiros da estatal, relatando supostos prejuízos causados pelo aparelhamento político de Furnas. O documento responsabiliza diretores indicados pelo PMDB - particularmente pelo deputado federal Eduardo Cunha - e pelo PT, além de aliados do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo.

Ao passar o cargo, Nadalutti disse que Furnas enfrenta momentos difíceis, mas garantiu que sai com o sentimento do dever cumprido. Após lembrar a presença dos auditores do TCU e CGU na empresa, ele citou uma passagem do Novo Testamento para convencer os presentes de que teria feito uma gestão correta em dois anos e meio na presidência: "Não há nada fora do homem que, nele entrando, possa torná-lo "impuro". Ao contrário, o que sai do homem é que o torna "impuro"".

Flávio Decat, ex-funcionário da estatal, onde iniciou a carreira há 41 anos, surpreendeu o público ao encerrar o discurso com um grito de "Viva Furnas!", e foi aplaudido de pé por alguns dos presentes. Antes, disse que a empresa precisava "mostrar à sociedade que atua com correção e tem processos e governanças justos".