Título: Papa deseja graças divinas a Dilma
Autor: Moreno, Jorge Bastos ; Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 21/02/2011, O País, p. 5

BRASÍLIA. Alvo de polêmicas entre os católicos durante a campanha, Dilma Rousseff caiu nas graças da cúpula da Igreja ao chegar à presidência. E na última quinta-feira, teve um dia de religiosa. Como noticiou no sábado a coluna "Nhenhenhém", do GLOBO, a presidente recebeu ofício com uma benção do Papa Bento XVI. Depois, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foram visitá-la no Palácio do Planalto.

A benção papal foi levada ao palácio pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Foi escrita em italiano e traz a data de 18 de janeiro deste ano. "Sua santidade Bento XVI, de coração, concede uma benção apostólica a Dilma Rousseff e família e invoca abundantes graças divinas", diz o texto. O documento foi obtido no Vaticano e entregue a Dilma em uma reunião para tratar das Olimpíadas de 2016. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, também estava no encontro.

Em seguida, a presidente recebeu a comitiva da CNBB, com o presidente, dom Geraldo Lyrio Rocha, o vice-presidente, dom Luis Soares Vieira, e o secretário-geral, dom Dimas Lara. Por cerca de 40 minutos, eles conversaram sobre trabalhos sociais de assistência a portadores do vírus da Aids, a dependentes químicos e a pessoas com deficiências. Também estavam na pauta os povos indígenas, os quilombolas, a seca no Nordeste e o Código Florestal. A CNBB ofereceu apoio ao governo em políticas de erradicação da miséria. Ao final da reunião, Dilma pediu que dom Geraldo benzesse a imagem de Nossa Senhora Aparecida que fica em sua mesa de trabalho. O religioso atendeu de pronto.

Durante a campanha presidencial, setores da Igreja criticaram Dilma por supostamente apoiar o aborto. A petista chegou a assinar um documento declarando ser contrária ao aborto. O tema não foi mencionado na reunião.

- Foi o primeiro encontro. O momento não era adequado para discutir esse assunto. Mas a questão do aborto ficou resolvida na própria campanha - disse o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara, depois da reunião.