Título: Mercado prevê inflação maior
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 22/02/2011, Economia, p. 17

No Focus, economistas estimam IPCA de 5,79% este ano

BRASÍLIA. O mercado, pela segunda semana seguida, piorou suas estimativas sobre inflação tanto para 2011 quanto para 2012, mas manteve suas apostas em relação à taxa básica de juros do país, hoje em 10,25% ao ano. De acordo com a pesquisa semanal Focus do Banco Central (BC), economistas consultados preveem agora um IPCA (índice usado nas metas de inflação do governo) de 5,79% este ano, acima dos 5,75% da semana anterior, e de 4,78% em 2012, sendo que, até então, essa projeção estava em 4,70%. Em ambos os casos, os números se afastam cada vez mais do centro da meta de inflação, de 4,5%.

Além dos preços dos alimentos, que vêm subindo sobretudo por causa das cotações internacionais, o mercado ainda vê um forte ritmo de atividade econômica no país. Segundo o relatório Focus, a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) foi mantida na última semana em 4,5% tanto para 2011 quanto para 2012.

CNI: indústria freia produção para se ajustar à queda na demanda

Sobre a produção industrial, o mercado piorou sensivelmente suas previsões para este ano ao apostar em um crescimento de 4,41%, aquém dos 5% projetados anteriormente.

A indústria começou o ano operando abaixo de sua capacidade instalada efetiva, indicando que a demanda está perdendo força. Segundo a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de utilização da capacidade instalada registrou 45,2 pontos em janeiro. A escala varia de zero a cem pontos, sendo que, acima de 50, indica o uso da capacidade acima do normal. Trata-se do segundo mês com atividade abaixo do esperado, algo que não acontecia desde a crise internacional de 2008.

"A indústria se antecipou e ajustou sua produção ao perceber que a demanda está em declínio desde o fim do ano passado" explicou, por meio de uma nota, o economista da CNI Marcelo Azevedo.

Apesar da piora no cenário para a inflação, o Focus mostrou que os economistas mantiveram a projeção de que a Selic fechará este ano a 12,50%. Para a próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente, economistas preveem que a taxa será elevada mais uma vez em meio ponto percentual, para 11,75% ao ano. Em relação a 2012, as previsões para a Selic também foram mantidas em 11,25%.

No front externo, o mercado melhorou boa parte de suas previsões, como a balança comercial, com superávit de US$11,45 bilhões este ano -- até então, esperava US$10,03 bilhões. Para 2012, as contas foram mantidas na casa de US$7 bilhões. Os especialistas também estão esperando mais investimentos estrangeiros diretos em 2011: preveem agora US$42 bilhões, em vez de US$40 bilhões.