Título: Governo arrecadou R$91 bilhões no mês passado
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 24/02/2011, Economia, p. 28
BRASÍLIA. A economia aquecida fez com que a arrecadação federal começasse 2011 em alta. No primeiro mês do ano, o recolhimento de impostos e contribuições federais somou nada menos que R$91,071 bilhões, o que representa um recorde para o período e um crescimento real de 15,34% em relação a janeiro de 2010. O resultado é o segundo melhor da história da Receita Federal, perdendo apenas para dezembro do ano passado, quando a arrecadação ficou em R$93,2 bilhões.
Segundo relatório divulgado ontem pelo Fisco, as receitas subiram em função do bom desempenho da atividade econômica, que elevou a produção industrial, as vendas de bens e serviços e a massa salarial. Também surtiram efeito o pagamento da primeira cota ou cota única do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao resultado apurado pelas empresas no último trimestre do ano passado e de royalties relativos à extração de petróleo.
As empresas também anteciparam pagamentos do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao lucro obtido em 2010. Além disso, a arrecadação teve o impacto do fim de desonerações relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos, que entraram em vigor em janeiro do ano passado e foram encerradas em abril.
¿ O resultado de janeiro foi aderente aos indicadores macroeconômicos ¿ explicou o secretário da Receita, Carlos Alberto Barreto.
Ele acrescentou ainda que, se a economia continuar aquecida, a arrecadação vai bater recordes mensais ao longo de 2011.
Segundo a Receita, o recolhimento do IRPJ teve crescimento de 26,67% em janeiro deste ano, quando comparado com o mesmo período no ano passado. Já a CSLL subiu 19,51% na mesma comparação, enquanto o IPI teve alta de 30,58%.
Mesmo diante desse desempenho recorde, Barreto disse que as receitas federais devem ter um crescimento nominal de apenas 12% em 2011. Ele disse que a projeção do governo tem que ser conservadora no início do ano ¿ neste momento, a preocupação central da União é fazer um corte de R$50 bilhões no Orçamento, para o qual não pode abrir brecha para uma revisão positiva das receitas.
Em relação a dezembro, a arrecadação teve queda real de 3,13%. Segundo Barreto, essa redução se deve a fatores sazonais. Em dezembro, houve, por exemplo, o recolhimento da contribuição previdenciária referente ao décimo terceiro salário e o pagamento semestral do IR na fonte sobre rendimentos de capital incidente sobre as aplicações financeiras em fundos de renda fixa, cujo recolhimento é feito em junho e dezembro.