Título: País recebe US$ 3,6 bi em fevereiro
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 24/02/2011, Economia, p. 28

BRASÍLIA. Com a enxurrada de dólares que o país continua recebendo, o Banco Central (BC) reforçou sua atuação no mercado de câmbio, comprando dólares para evitar que a moeda americana derreta ainda mais. Esse movimento, porém, acabou ajudando a aumentar a posição vendida dos bancos ¿ quando apostam em mais valorizações cambiais ¿ neste mês, indo de encontro ao desejo do próprio BC.

Até segunda-feira, o país registrou entrada líquida de moeda estrangeira, o chamado fluxo cambial, de US$3,621 bilhões, sendo quase US$1 bilhão apenas entre os dias 14 e 21. Nesse período, o BC comprou no mercado ¿ seja à vista ou a termo (com data de liquidação diferenciada) ¿ US$6,945 bilhões, quase o dobro do que o mercado nacional recebeu de divisas externas.

Ainda assim, o dólar continua abaixo de R$1,70, o que preocupa o governo porque reduz a competitividade das exportações. Com isso, os bancos acabam tendo de suprir a necessidade do BC por dólares, aumentando suas posições cambiais vendidas. Segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a posição vendida dos bancos subiu de US$11,018 bilhões em janeiro para US$13,290 bilhões até a última segunda-feira.

Em janeiro, o BC decidiu limitar essas posições vendidas ao elevar os compulsórios bancários (parcela dos recursos dos bancos que fica presa no BC). Mas, com a entrada forte de dólares por causa da economia, não surtiu o efeito desejado.

A conta financeira do fluxo cambial, por onde passam os investimentos estrangeiros diretos e em portfólio, está superavitária em US$4,381 bilhões em fevereiro, até o dia 21, resultado de compras de US$20,847 bilhões e vendas de US$16,466 bilhões. Já o fluxo comercial estava negativo em US$760 milhões, consequência de exportações de US$9,599 bilhões e importações de US$10,360 bilhões.