Título: Governo faz superávit de R$14 bi, mas gastos sobem 24%, acima das receitas
Autor: Rosa, Bruno ; Spitz, Clarice
Fonte: O Globo, 25/02/2011, Economia, p. 36
Tesouro comemora resultado fiscal de janeiro. Servidor pesa nas despesas
BRASÍLIA. A economia de recursos feita pelo governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) para pagamento de juros da dívida pública - o chamado superávit primário - somou R$14,1 bilhões em janeiro de 2011. O resultado é praticamente igual ao do mesmo período em 2010, quando o saldo foi de R$13,9 bilhões. Ele também equivale ao segundo melhor primário da história para meses de janeiro, perdendo apenas para o primeiro mês de 2008 (R$15,3 bilhões).
Os gastos, porém, tiveram crescimento bem mais forte que a arrecadação em janeiro. As receitas ficaram em R$75,3 bilhões (alta de 19,1% sobre 2010), enquanto as despesas foram de R$61,2 bilhões - um aumento de 24% sobre o ano anterior.
Para o secretário do Tesouro, Arno Augustin, o resultado mostra a tendência do ano:
- Foi um primário muito bom. Enxergamos 2011 com muito otimismo, pois as receitas tendem a reagir positivamente quase sem efeito da crise mundial. As condições fiscais este ano estão bem tranquilas.
Desembolso do PAC dobra. Gasto de custeio sobe 35%
A arrecadação do Tesouro subiu devido ao maior recolhimento de tributos como o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Já as despesas ficaram mais altas por conta da reestruturação de carreiras do funcionalismo, da remuneração de servidores públicos e também de investimentos.
O documento mostra que os desembolsos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, tiveram crescimento de nada menos que 176% sobre janeiro de 2010, somando R$2,949 bilhões. Já os gastos com pessoal avançaram 10,5% e os de custeio, 35,3%.
O resultado de janeiro representa 17,1% do esforço fiscal estipulado para 2011 (R$81,8 bilhões). Para cumprir essa meta, a equipe econômica anunciou corte de R$50 bilhões no Orçamento. Segundo Augustin, apesar da alta de despesas em janeiro, o corte não será flexibilizado ao longo do ano.