Título: Medicos da Europa são contrários a emagrecedor
Autor: Magalhães, Graça
Fonte: O Globo, 25/02/2011, Ciência, p. 42
Sibutramina foi banida no ano passado na UE
Enquanto que parte dos representantes de entidades médicas brasileiras esteve na audiência pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na quarta-feira, para defender a permanência dos inibidores de apetite a base de sibutramina no mercado, especialistas europeus avaliam que o banimento da comercialização da substância em seus países foi positiva.
Seguindo decisão semelhante da União Europeia, a Anvisa propôs o banimento de emagrecedores a base de sibutramina do mercado brasileiro em função de sua pouca eficácia e riscos. A decisão, no entanto, teve de ser adiada devido à forte reação de representantes médicos e farmacêuticos. O principal argumento seria deixar os obesos sem opção de tratamento.
Na avaliação de especialistas europeus, no entanto, a proibição da sibutramina no ano passado trouxe apenas benefícios aos pacientes. Segundo a analista da revista da Associação Médica da Alemanha Vera Zylka Menhorn, além dos efeitos colaterais ¿ na Itália, duas pessoas morreram em consequência do uso do remédio ¿, o Reductil (nome comercial da sibutramina) não tinha o efeito desejado, de combate à obesidade.
¿ Os pacientes perdiam no inicio um pouco de peso para, logo depois, engordar de novo, adquirindo, no final, um peso maior do que tinham antes do inicio da terapia ¿ afirmou Menhorn.
¿Saudáveis apenas para a indústria farmacêutica¿
O remédio foi proibido nos países da União Européia depois da divulgação de um estudo da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), com dez mil pessoas, que revelou que a substância sibutramina ¿ que atua no cérebro na redução do apetite e está no mercado desde 1999 ¿ aumentava em 16% o risco de ocorrência de problemas cardiovasculares. O remédio era vendido mediante receita médica também com os nomes de Meridia, Sibutral, Ectiva ou Raductil.
Segundo Zylka Menhorn, a proibição da sibutramina não alterou o percentual de sucesso dos tratamentos contra a obesidade. A melhor terapia contra a obesidade, segundo a especialista, continua sendo a dieta e os exercícios físicos.
Outros remédios ainda usados são o Xenical, da Roche, e o Alli, da GlaxoSmithKline ¿ este último vendido até sem receita médica na Alemanha embora tenha a mesma substância do Xenical, orlistat, mas em dosagem menor. O analista de medicamentos da Fundação de Teste de Produtos Carl-Friedrich Theill adverte que, mesmo os remédios vendidos sem receita médica, podem causar efeitos colaterais graves:
¿ Pessoas com problemas cardiovasculares e mesmo as sadias correm riscos.
No caso do Xenical, por exemplo, testes feitos na Europa e nos Estados Unidos já indicaram o risco de danos no fígado. Mesmo o Alli, que tem dosagem menor, ofereceria risco. Nas palavras de Theill, remédios para emagrecer são saudáveis apenas para a indústria farmacêutica.
No ano passado, só na Alemanha, foram gastos 68 milhões com esse tipo de remédio, o que indica um crescimento de mais de 23% em relação ao ano anterior.