Título: Governo tem superávit de R$17,7 bi
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 26/02/2011, Economia, p. 31

BRASÍLIA. O governo começou bem 2011 quando o assunto é contas públicas, mas ainda falta muito para garantir que a meta de superávit primário ¿ economia feita pelo setor público para pagamento de juros ¿ será cumprida neste ano. Em janeiro, segundo dados do Banco Central (BC), o saldo ficou positivo em R$17,748 bilhões, o segundo melhor desempenho para esses meses desde o início da série histórica, em 2001. Só perde para janeiro de 2008, com R$20,523 bilhões.

Num fluxo de 12 meses, a cifra atual equivale a 2,81% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país).

Economista prevê superávit abaixo da meta este ano

Esse resultado é um pouco melhor que os 2,79% vistos em 2010, quando a meta de 3,1% não foi cumprida, pelo segundo ano consecutivo, e o governo precisou descontar os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para fechar as contas.

¿ A estimativa de aumento de receitas, com mais arrecadação, e a contenção de gastos ajudam (no cumprimento da meta neste ano, que é de 2,9% do PIB) ¿ avaliou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.

Ele se referia ao anúncio feito recentemente pelo governo de um corte de R$50 bilhões nas despesas deste ano, mas ainda faltam detalhes sobre onde a tesoura será mais afiada. E é justamente aí que persiste o ceticismo de parte do mercado, uma vez que existe o temor de que o governo não foque suas atenções nos gastos de custeio.

¿ Ainda tem muito o que esclarecer, para onde vão esses cortes ¿ afirmou o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, para quem o superávit primário deste ano ficará em 2,5% do PIB.

No mês passado, o governo central registrou superávit primário de R$13,807 bilhões, mas o grande destaque ficou para o desempenho dos governos regionais (estados e municípios), com saldo positivo de R$4,503 bilhões, recorde mensal global.

Estatais têm déficit de R$562 milhões no mês

Segundo Maciel, do BC, isso ocorreu porque houve mais repasses de impostos do governo federal a essas esferas, totalizando R$15,5 bilhões no período, quase R$5 bilhões a mais que um ano antes (R$10,7 bilhões).

¿ Além disso, é início de governo (nos estados), e o arranjo financeiro deles demora um pouco mais para se dar ¿ acrescentou.

O BC informou ainda que as empresas estatais apresentaram um déficit primário de R$562 milhões em janeiro. No mesmo mês, o pagamento de juros chegou a R$19,281 bilhões, o que gerou um déficit nominal ¿ receita menos gastos, incluindo pagamento de juros ¿ de R$1,532 bilhão.

A dívida líquida do setor público chegou a R$1,476 trilhão no mês passado, o que corresponde a 40,1% do PIB, patamar que deve se manter em fevereiro. Para 2011 fechado, a autoridade monetária mantém a projeção de que o indicador ficará em 37,8% do PIB.