Título: Lupi: partido está em processo de reconstrução
Autor: Bruno, Cássio
Fonte: O Globo, 27/02/2011, O País, p. 9

Ministro reconhece limitações e diz que sigla perdeu referência

O ministro Carlos Lupi admite a tensão dentro do PDT. Ele, no entanto, diz ter iniciado um processo de reconstrução do partido, depois da morte de Leonel Brizola.

- Perdemos a referência. Estamos no processo de reconstrução. O Brizola era uma liderança muito forte. Não se faz isso do dia para o outro. Hoje, não temos essa referência, mas temos as ideias dele. Tenho a consciência das minhas limitações, porém, tento honrar a sua memória - afirma Carlos Lupi.

Eleito com 528.628 votos, o deputado fluminense Wagner Montes lidera uma força-tarefa para repatriar brizolistas descontentes no estado já pensando no desempenho dos candidatos nas eleições de 2012. A repatriação, debatida recentemente em reunião com Lupi, está sendo levada pelo PDT para os diretórios estaduais no país.

- Além de resgatar o brizolismo dentro do partido, queremos fazer uma oxigenação, com a filiação dos jovens - ressalta Wagner Montes.

O presidente em exercício do diretório nacional, Manoel Dias, fará reunião em março com os diretórios estaduais para traçar um plano de metas.

- A morte do Brizola deixou um vazio - admite.

Na Brizolândia, uma militante solitária

Como noticiou sexta-feira Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, José Vicente Brizola, filho de Brizola, entrará na Justiça contra Lupi. Segundo ele, o PDT "foi roubado". A deputada estadual pelo Rio, Cidinha Campos, defende o ministro:

- O Lupi é dedicado. Quem o critica são pessoas que querem o lugar dele e pleiteiam ministérios. Eles ficam indignados porque, além de presidente (licenciado) do partido, o Lupi é um extraordinário ministro. Essa insatisfação é, na verdade, incompetência - disparou ela.

Procurado pelo GLOBO, Brizola Neto, secretário de Trabalho do governo Sérgio Cabral (PMDB), não quis falar sobre a crise. Seus irmãos - o vereador pelo Rio, Leonel Brizola Neto, e a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul, Juliana Brizola - não retornaram as ligações. O mesmo ocorreu com o deputado federal Miro Teixeira. O senador Cristovam Buarque passou por cirurgia e não estava disponível para entrevistas.

Na Brizolândia, no Centro do Rio, local onde havia encontros do PDT e comícios de Brizola, a professora aposentada Marly Koplin, de 65 anos, tenta resgatar sozinha a memória do político ao lado da Câmara dos Vereadores.

- Em 1989, viajei o Brasil fazendo a campanha do Brizola para presidente. Fazia todas as campanhas dele. Eu queria um Brasil melhor - lembra Dona Marly com a bandeira do PDT.

Filiada desde a fundação, Dona Marly não comenta a atual situação da legenda.

- Preferia não falar sobre o partido - encerra ela, desanimada. (Cássio Bruno)