Título: Na saúde, em busca de um remédio
Autor:
Fonte: O Globo, 28/02/2011, Rio, p. 15
Gravidez precoce ainda dificulta o acesso do sexo feminino ao emprego
Se na educação a criação de novas vagas em creches pode colaborar para a vida profissional da mulher, na saúde, o planejamento familiar, a atenção à gestante e a prevenção de doenças podem dar a ela maior controle sobre sua vida. Ações de orientação sexual a adolescentes e jovens de ambos os sexos, por exemplo, impactam sobre indicadores como o de gravidez precoce. De acordo com o Sistema de Indicadores do Rio Como Vamos, 16,7% das mães que deram à luz em 2009 no Rio tinham menos de 20 anos, número que desde 2006 não melhora. Em regiões carentes como a Cidade de Deus, a taxa chega a quase 24%. Na favela, que tem índice de gravidez precoce tão acima da média do Rio, a evasão no ensino médio chega a 29%, entre rapazes e moças.
Sem estudo, o ingresso no mercado de trabalho fica mais difícil. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE) mostram que a participação feminina em empregos formais sobe progressivamente com o aumento de sua escolaridade. Entre os trabalhadores da cidade que em 2009 tinham até o 5º ano de estudo incompleto, as mulheres eram apenas 15%. Chegavam perto dos 30% entre os que tinham ensino fundamental, passavam dos 50% com ensino médio, e alcançaram 53% entre os formados em faculdades.
As adolescentes e jovens despertam ainda outro foco de preocupação. Segundo a coordenadora do Núcleo de DST/Aids do Centro de Saúde Germano Sinval Faria, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Celina Boga, hoje o Ministério da Saúde volta suas atenções para moças de 15 a 24 anos, pela vulnerabilidade diante das doenças sexualmente transmissíveis, pois estão começando a vida sexual cada vez mais cedo.
De acordo com a gerente do Programa de Saúde da Mulher do município, Chrystina Barros, no planejamento familiar oferecido em todos os postos de saúde, ingressam por ano de 30 mil a 40 mil novos usuários, que recebem orientação e contraceptivos.
Ainda segundo Chrystina, das ações previstas no Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (Paism), o Rio tem o planejamento familiar e outras três grandes frentes implantadas: prevenção às DSTs, ao câncer de mama e assistência ao pré-natal e parto. Para o RCV, são ações urgentes para melhorar alguns indicadores que, depois de anos sem a devida atenção do poder público, estancaram sem apresentar melhora significativa.
É o caso do pré-natal insuficiente. Em 2009, 32,18% das mulheres que deram à luz não fizeram o acompanhamento mínimo recomendado de sete consultas, como mostram os indicadores do RCV. Número de que vem apresentando pequenas oscilações nos últimos quatro anos. Tão preocupante ainda são as desigualdades observadas no próprio município, com várias regiões bem acima da média. Só na Cidade de Deus, 58,55% das gestantes fizeram um pré-natal incompleto em 2009.