Título: Cortes em habitação não assustam setor
Autor: Beck, Martha; Spitz, Clarice
Fonte: O Globo, 02/03/2011, Economia, p. 25

Restos a pagar de anos anteriores garantiriam Minha Casa, Minha Vida

BRASÍLIA e RIO. Representantes do setor da construção civil afirmaram ontem que o corte de R$5,1 bilhões no orçamento do programa Minha Casa Minha Vida, anunciado pela equipe econômica, não é preocupante. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Simão, o montante que foi reduzido será compensado pelos restos a pagar de anos anteriores (despesas comprometidas em um ano mas pagas no seguinte), em torno de R$6 bilhões.

Nos cálculos do governo, os restos a pagar de 2010 do programa são ainda maiores, de R$9,5 bilhões, segundo nota conjunta divulgada ontem pelos ministérios do Planejamento e das Cidades. Ou seja: o poder do Minha Casa para turbinar a economia em 2011 está intacto.

Diante da repercussão da tesourada no Minha Casa Minha Vida - que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - o governo afirmou a representantes do setor anteontem que a meta de contratar dois milhões de moradias até 2014 está mantida. O Ministério do Planejamento explicou que o que está reservado no orçamento com restos a pagar vai suprir os desembolsos nos primeiros meses de 2011.

O corte foi bem recebido pelo mercado financeiro. A construção civil é um dos setores mais aquecidos da economia e que sofre problemas de falta de mão de obra e de capacidade produtiva. Os fabricantes de louças sanitárias, por exemplo, não estariam dando conta da demanda e, segundo o BNDES, isso tem levado a um aumento de preços e até a importação desses itens. (M.B e H.G.B.)